Resenhas

Curumin – Arrocha

Novo álbum do músico e produtor traz músicas menos interessantes e com menor potencial de hit como em seu trabalho anterior

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Ano: 2012
Selo: YB Music, Quannun Projects
# Faixas: 14
Estilos: Hip Hop, MPB, Eletrônico
Duração: 35:06
Nota: 2.5
Produção: Curumin

“Curumim” é uma palavra tupi que significa criança ou criado jovem. Curumin, com “n”, é o músico e produtor de São Paulo com traços orientais que, assim como a palavra tupi, tem raízes fixas em suas origens brasileiras. Em seu novo trabalho, Arrocha, procura contextualizar e misturar a música brasileira com diversos ritmos vindos de fora. Utilizando dos seus dotes de produção musical, já bem demonstrados trabalhos anteriores próprios ou com outros artistas, como o último EP do Apanhador Só, traz um disco fresco aos ouvintes.

Afoxoque tem rimas bem colocadas e uma boa musicalidade nos versos, com a transformação coloquial e brasileira de afro-choque em Afoxoque, vista no final no música com ritmos tribais que remetem a florestas e não às savanas africanas. Selvage continua com o coloquialismo, com uma letra meio sem sentido, mas que tem sua força no refrão simples com um violão muito bem colocado. Treme Terra cresce nos primeiros segundos e entra com uma batida mais voltada pro Dubstep, muito bem produzida com os versos “treme terra” ecoando pela faixa, e uma ótima percussão e instrumentos de sopro. É a grande canção do álbum.

Passarinho, uma balada Pop e pegajosa toda levada no violão e teclado, mostra que o músico consegue alcançar outros públicos através de sua obra e não necessariamente suas letras. Paris Vila Matildeé uma analogia do soldado que batalha todos os dias com aqueles do sofreram na grandes guerras, curta e com acordes de violão somente.

Tupanzinho Guerreiro é instrumental e serve de transição para outra parte do CD. Vestido de Prata é outra boa balada, com uma guitarra Reggae e vocais femininos que dão um bom toque ao refrão marcante. Doce, explora mais o Reggae da música anterior mas com uma ótima mistura dos versos com o baixo e alcançando um bom resultado no estilo. Blinblin Intro/ Blinblin são uma tentativa de Curumin criar um hip-hop com traços americanos. Apesar de bem produzida, carece de letra e de uma melhor exploração das batidas criadas.

Sapo Garimpeiro tem traços de Funk, mas não o brasileiro, aquele feito pelos gringos como Diplo. Accorda, é uma poesia musicada que, apesar de estranha a principio, tem uma excelente produção que consegue criar tensão e identificação com a canção e a letra. Pra Nunca Mais é terna nos acordes, calma e tranquila com instrumentos de cordas não usais que contribuem e muito para o clima da música. Bambora é curtinha, batidas simples para fechar o álbum.

Após quatro anos do cultado Japan Pop Show, Curumin mostra que evoluiu ainda mais em sua produção musical. Entretanto, a fuga um pouco do Hip Hop do CD anterior pareceu tirar um pouco o foco do artista, que tenta abraçar outros gêneros, mas sem criar singles marcantes como os vistos em seu trabalho anterior, como Compacto e Magrela Fever. Muito bem produzido, o disco funciona como unidade, mas não espere que as suas canções separadamente causem o mesmo impacto, ou a mesma vontade de escutá-lo.

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BOM PARA QUEM OUVE: Criolo, Bixiga 70, Apanhador Só
ARTISTA: Curumin

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.