Resenhas

Dads – Pretty Good EP

Em um EP com apenas quatro faixas o duo apresenta uma potente versão do Emo, derivado das vertentes enraizadas nos anos 90

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Ano: 2013
Selo: 6131 Records
# Faixas: 4
Estilos: Emo, Indie Rock
Duração: 14:10
Nota: 3.5
SoundCloud: /tracks/102387188

Não que a qualidade de uma banda se mensure pela quantidade membros, mas ao ouvir pela primeira vez o som dos norte-americanos do Dads eu nunca iria imaginar que somente dois integrantes conseguiriam colocar tamanha energia em sua música. Muito menos o que o duo cria soa como algo complicado, e muitas vezes a sonoridade apresentada no pequeno EP Pretty Good está bem longe disso, mas ainda assim ver somente duas pessoas fazendo “tudo isso” é realmente impressionante.

Trazendo tendências (na medida certa) do Indie Rock e Emo, o duo chega ao seu terceiro EP (em pouco mais de três anos de existência), já tendo lançado também dois álbuns e consideravelmente melhorando a forma de apresentar suas faixas (seja em questões de produção ou mesmo na qualidade dos dois como músicos). Com o som consideravelmente mais limpo (ainda que esse seja um adjetivo que não case muito bem com guitarras distorcidas e cheias de efeito), John Bradley e Scott Scharinger mesclam momentos mais urgentes (flertando com o Post-Hardcore) e outros mais técnicos (com o que pode se aproximar dos tappings e das excentricidades vindos do Math Rock).

Ainda que bem pequeno, este EP pode ser um ótimo exemplar da musicalidade do duo. My Crass Patch apresenta um momento mais denso, construído pela tensão da guitarra e o vocal berrado, se contrapondo a bateria econômica. A explosão ao fim da faixa mostra as raízes da banda no som do Post-Hardcore e também como a dupla consegue transitar entre dois extremos em suas construções melódicas. Can I Be Yr Deadbeat Boyfriend? cria este mesmo efeito, porém o fazendo de maneira mais econômica e urgente (em menos de dois minutos).

O single Boat Rich é o que mais se aproxima das tendências popularescas das vertentes que a banda traz à sua musicalidade. Brincando com tappings e com vocais e melodias mais Pop, a faixa pode lembrar algumas bandas da safra mais Pop do Emo (surgidas no começo dos anos 2000). No, We’re Not Actually por sua vez fecha a pequena obra mostrando um lado também bem próximo do virou clichê no estilo há alguns anos e faz isso usando uma guitarra levemente dedilhada e o acompanhamento de letras dolorosas e um vocal performático. Ela vai se construindo lentamente até explodir em uma cacofonia de guitarra com timbres saturados e uma bateria pulsante.

Explorando o legado deixado por bandas como Sunny Day Real Estate e Jimmy Eat World, o duo constrói sua própria versão do que representa o Emo sem se tornar mais um pastiche e faz isso com o máximo de energia que um duo consegue imprimir em seus instrumentos.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts