Resenhas

Damaged Bug – Cold Hot Plumbs

Segundo disco de membro de Thee Oh Sees revela simplicidade e potência lisérgica

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Ano: 2015
Selo: Castle Face Records
# Faixas: 14
Estilos: Psicodelia, Trip Hop
Duração: 38:45
Nota: 3.5
Produção: John Dwyer
Itunes: https://geo.itunes.apple.com/us/album/cold-hot-plumbs/id981677694?uo=6

A psicodelia é um gênero expansivo e vivo. É curioso perceber que grandes nomes desse “gênero” não limitam suas experimentações a um único projeto. Kevin Parker, por exemplo, considerado um dos mais famosos participantes e pioneiros na revitalização da estética, não se limita produzir novas experiências lisérgicas à banda Tame Impala, expandindo seu talento para outros projetos como Mink Mussel Creek e até mesmo colaborações com nomes do Pop, como Mark Ronson. Dentro desse grupo de criativos multiprojetos, inclue-se John Dwyer, mais conhecido por tocar guitarra na banda Thee Oh Sees, que agora lança o novo disco de seu projeto solo Damaged Bug.

Assim que Cold Hot Plumbs começa, fazemos comparações mentais entre Thee Oh Sees e Damaged Bug. O interessante é que, embora os dois projetos estabeleçam uma conexão bastante vívida com a lisergia, temos diferentes tipos de experiências ao escutarmos, mais ou menos como se estivéssemos experimentando dois tipos de drogas diferentes. A primeira banda explora sensações que partem de um ponto fixo, ou seja, existe uma base sólida e, a partir dela, acrescentam-se efeitos, disorções, delays e afins. Já o projeto solo de John aproria-se de uma espécie mais alucinógena de psicotrópico, de forma que muitas das construções dependem de nossa percepção e, ao contrário de Thee Oh Sees, não temos pontos fixos de descanso. Percebemos isso pelas infinitas camadas de sintetizadores trabalhadas durantes as músicas e por algumas linhas de bateria estarem fora do tempo, evitando que o ouvinte consiga estabelecer um ponto fixo de referência, tornando a obra o mais alucinada possível.

O trabalho de experimentação de timbres de sintetizadores é bem interessante e muito bem colocado e estudado ao longo das músicas, embora não tão variado assim. Deep Bore Drill Worker, por exemplo, não inova ao colocar timbres estridentes e distorcidos simulando um orgão Hammond, porém as inserções dão ao sentido geral da música uma aura bastante histérica. Já Mega Strucuture usa cordas simuladas para dar uma ambientação mais divertida e saltitante, como se fosse um verdadeiro delírio. Além dos sintetizadores, John usa harmonias vocais bastante simples, mas que também, quando colocadas no lugar certo, direcionam as alucinações musicais para o bem ou mal (good trip ou bad trip).

Damaged Bug produz uma obra mais ampla e que se arrisca mais do que seu registro anterior. Um disco que mostra as minúcias, simplicidades e amplidões da música Psicodélica. Bom tanto para conhecer um novo nome do gênero ou explorar mais do mesmo universo dos membros que formam o Thee Oh Sees.

Um alucinógeno bastante simples e potente.

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BOM PARA QUEM OUVE: Ariel Pink, The Flaming Lips, tUnE-yArDs
ARTISTA: Damaged Bug
MARCADORES: Ouça, Psicodelia, Trip Hop

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.