D’Angelo and the Vanguard – Black Messiah

“Retorno” do artista está entre os melhores lançamentos do ano

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Ano: 2014
Selo: RCA
# Faixas: 12
Estilos: Neo Soul, R&B, Jazz
Duração: 55:56
Nota: 4.5
Produção: D'Angelo

Certa mística e muita expectativa circundavam o terceiro álbum de D’Angelo, um dos expoentes vindos dos anos 90 e que ajudaram a cunhar o significado de Neo Soul. Do lado da expectativa, temos um artista que, equivalente a nomes como Erykah Badu e Lauryn Hill, faz parte de uma geração que ajudou a expandir e consagrar o alcance do R&B. D’Angelo, bebendo em fontes como Prince e Marvin Gaye (que, por sua vez, tem em comum a música negra religiosa dos Estados Unidos em sua origem), conseguiu, a cada lançamento até agora (dois álbuns, para ser mais exato) elaborar um pequeno clássico. Por isso, se você gosta de Janelle Monáe, Pharrell Willians ou Solange, pode acreditar que D’Angelo tem culpa na formação destes, e, sim, pode esperar tudo isso deste novo lançamento do cara.

Do lado da mística, temos, por sua vez, um artista que está há 14 anos num recesso de material inédito. Longe de permanecer em inatividade, D’Angelo, teve, na verdade, uma vida bastante conturbada neste período. Além das turnês esporádicas e participações pontuais em alguns festivais, o artista esteve envolvido em prisões (retido, por exemplo, por porte de drogas e por envolvimento com prostituição) e acidentes automobilísticos. Além disso, o foco exagerado no seu status de sex symbol (alavancado por este clipe aqui) em detrimento de seu talento musical, e a morte de amigos próximos, acabaram provocando no músico uma depressão e um subsequente vício em álcool.

Por isso, o lançamento repentino de Black Messiah é uma surpresa impactante meio difícil de definir. O álbum que vem sendo prometido (e mudando de nome) desde 2009 surge na web antes da data prevista para endossar os protestos estadunidenses decorrentes dos abusos policiais nos casos de Ferguson e Eric Garner. Por isso, Black Messiah surge como um título que, se por um lado, reafirma a auto estima exagerada da época em que o crítico Robert Christgau o chamou de “R&B Jesus”, por outro, endossa politicamente a importância do artista que “ressurge” no contexto contemporâneo.

Musicalmente, Black Messiah é uma mistura de excelente bom gosto entre os já citados R&B e Neo Soul, além de uma forte influência das jam sessions do Jazz. Em geral, entre a pegada Folk interiorana de The Door e os muitos improvisos de guitarra de Prayer, permeiam sempre belíssimos timbres sofisticados. Além disso, temos algumas passagens pontuais que mais destoam do contexto geral, como a caótica 1000 Deaths (e a que parece mais se identificar com o viés político do álbum), sem dúvida um dos ápices do trabalho e a faceta mais inovadora do novo D’Angelo.

Dado o quadro geral, não resta dúvidas de que D”Angelo conseguiu (desta vez ao lado de sua banda The Vanguard) lançar mais um pequeno clássico e, consequentemente, um dos melhores álbuns deste ano (que, infelizmente, não saiu há tempo de entrar em nossas listas). Com Black Messiah fica a prova de que, se o tempo longuíssimo de maturação de um álbum serve, na verdade, para atestar a eficácia de suas faixas, vale a pena o tempo de espera.

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BOM PARA QUEM OUVE: Maxwell, Prince, Erykah Badu
ARTISTA: D'Angelo
MARCADORES: Jazz, Neo Soul, Ouça, R&B

Autor:

Discreto e silencioso. Falo pouco, ouço bem, porém.