Resenhas

Darkstar – Foam Island

Disco conceitual aborda vida moderna no norte da Inglaterra

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Ano: 2015
Selo: Warp Records
# Faixas: 12
Estilos: Eletrônico Experimental, Electro Pop
Duração: 39"
Nota: 2.5

“Bem, vou para a universidade e ter um trabalho. Então vou comprar uma casa, encontrar um parceiro e sossegar? Bem, eu queria ter seguido esse plano. Mas não segui”. É com um trecho assim, tirado de entrevistas com moradores do norte da Inglaterra, que o álbum Foam Island, terceira obra do agora duo Darkstar, começa a ser construído. Tijolo após tijolo, o grupo amontoa dilemas de nosso cotidiano pós-moderno em recortes que refletem um lado quase burocrático de nossa sociedade, aquele lado cínico que acaba por se tornar fonte das nossas frustrações.

É com essa moldura que uma espécie de autorretrato do duo começa a ser pintado. A área escolhida para entrevistar esses jovens adultos é mesma região onde os dois músicos cresceram e se estabeleceram não só como artistas, mas como cidadãos. Não é difícil imaginar a partir disso que a perspectiva desses jovens aqui retratados seja no mínimo muito próximas às deles próprios. Essa tensão, ansiedade e descontentamento são os combustíveis das faixas que musicalmente se constroem sob um Electro Pop não tão diferente do que grupo apresentou em News from Nowhere – disco que ainda tinha James Buttery nos vocais.

Os tais tijolos sob os quais a obra se constrói são fortes, mas a forma como a banda os põe juntos não resulta em um projeto exatamente sólido. O duo parece ambicionar mais do que consegue lidar no momento, seja em seu teor lírico – que, mesmo com seu cadência fácil e sutileza Pop, parece não conseguir dar vazão a todo conteúdo que pretendia explorar -, seja em suas experimentações sonoras – que, por mais polidas que tenham se tornado, demonstram também certo aspecto burocrático que sua música denuncia.

O disco segue por quase 40 minutos destrinchando esse envolvimento dos jovens com temas como política e vida em sociedade, tentando dar voz a esses e de certa forma a si mesmos. Ao mesmo tempo, o disco denuncia e se fecha em certa apatia: “Eu nunca experimentei muito do mundo, nunca viajei tanto e é provável que por isso eu me sinta bem aqui, me sinta feliz aqui. Eu acho que eu não quero sair daqui…meus amigos, minha família. Acho que meu futuro é aqui”, diz mais um dos diálogos. Infelizmente, esse conformismo também se irradia um pouco na música do grupo, que mostra-se desta vez menos inventivo e à procura de sons mais “conservadores”.

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BOM PARA QUEM OUVE: Panda Bear, Son Lux, Four Tet
ARTISTA: Darkstar

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts