Resenhas

Darwin Deez – Songs For Imaginative People

A busca por uma técnica musical mais apurada parece ter tirado a atenção do rapaz em produzir um material que vá além disso

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Ano: 2013
Selo: Lucky Number Music
# Faixas: 10
Estilos: Indie Rock, Experimental
Nota: 2.0

Um pequeno feixe da luz dos holofotes da fama já resplandeceu um dia nos cabelos cacheados e no bigode protuberante de Darwin Deez. Tal momento se deu devido ao seu single de sucesso em 2010, Radar Detector, que traz uma sequência de riffs dançantes e que acabam se arrastando por todo seu primeiro disco homônimos, mudando poucas coisas e o que se destoava não impressionava muito.

Três anos se passaram e Deez voltou, prometendo uma evolução plena de seu som, contando em entrevista que, se antes se apoiava em ideiais supérfluos, refrões bobos e composições muito fáceis, agora havia chegado seu momento de mostrar seu real talento perante a música e produzir um disco de personalidade e que não fosse assim tão fácil de mascar e deglutir, mas que levasse um tempo para entender o que músico queria dizer. Ao que parece, os últimos tempos foram tirados para melhorar as habilidades do próprio, que realmente traz para Songs For Imaginative People composições mais estudadas e trabalhadas. Se antes as percussões eram palmas e a levada sonora era sempre a mesma, agora o trabalho ganha melhor produção, bases e arranjos. Ainda assim, uma técnica mais requintada não traduz mais diversão. Ao menos por aqui.

As letras do músico ainda permanecem praticamente na mesma toada, assim como seus vocais que nunca foram o destaque principal de seu som, deixando a desejar no produto de final de canções que beiram ao tédio como em All In The Wrist, Free (The Editorial Me) e (800) HUMAN. Novidades como Alice parecem remeter ao passado, porém numa estética mais suja e mista que não agrada tão facilmente um grande público. O nova iorquino acaba pecando pelo excesso em alguns solos unidos a uma geleia experimental que não se encaixam muito bem em seu ideal de repertório.

Os destaques do álbum ficam por Redshift, Moonlit e Chelsea’s Hotel, que apontam num caminho mais bem estruturado e que amarra bem tudo que Darwin pretende nessa sua nova fase, tanto os solos orgânicos quanto os timbres mais experimentais sem perder a sonoridade Pop.

De fato, o novo material de Deez não desce fácil e mostra uma resistência ao permeado no início de sua carreira. Apesar de ter melhorado profissionalmente, o rapaz parece ter perdido um pouco da assimilação, tato e frescor em produzir algo que realmente encante, mesmo que seja pela inocência ou só diversão. A próxima missão de Deez é encontrar esse ponto chave.

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Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.