Resenhas

Dave Harrington Group – Become Alive

Produtor reúne um grande time de músicos em obra meio Experimental, meio Jazz Fusion

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Ano: 2016
Selo: Other People
# Faixas: 8
Estilos: Eletrônico Experimental, Ambient, Jazz Fusion
Duração: 44
Nota: 2.5
Produção: Dave Harrington, Nicolas Jaar, Andrew Fox, Samer Ghadry

Dave Harrington, para o alívio daqueles órfãos abandonados por Darkside, não diminuiu seu ritmo criativo desde o fim do breve projeto. E, melhor ainda, voltou a parear-se com Nicolas Jaar para o lançamento de sua recente empreitada. No que diz respeito a parcerias, aliás, Become Alive, não deixa nada a desejar: o artista reuniu, sob a alcunha de Dave Harrington Group, um imenso número de músicos, entre amigos e admirados, para a concepção deste projeto.

Não é possível deixar de notar as semelhanças de Become Alive com o também recém-lançado trabalho do produtor canadense Tim Hecker, intitulado Love Streams. Assim como esse último, Harrington passa por um longo processo de produção e experimentação até chegar ao resultado final de sua obra: grava diversas jam sessions com os músicos convidados, recorta sua matéria-prima e rearranja sua música conforme lhe convém. Não por acaso, assim como Hecker, o produtor aqui também fala em “esculpir” o som.

O resultado, todavia, acena para dois caminhos distintos, embora evidentemente correlatos. Por um lado temos as faixas (a maioria delas), mais dispersas e excessivamente trabalhadas, que ganham um aspecto de uma música tanto mais Ambiente quanto Experimental. São as que mais se aproximam ao trabalho que já conhecemos de Harrington, principalmente se considerarmos o seu álbum imediatamente anterior Before This There Was One Heart But A Thousand Thoughts.

De outro lado, temos os exemplos mais graúdos — por conta, talvez, justamente de sua estrutura mais próxima da gravação “original” —, concentrados em torno de, pelo menos, três faixas principais. Cities of the Red Night emula uma aura psicodélica setentista próxima de Ummagumma de Pink Floyd. Become Alive, a faixa título, com o perdão da associação um tanto óbvia, é o exemplo que, de fato, dá vida a esse trabalho, pois reúne a pretensão experimental de Harrington com sua conhecida obsessão pelo Jazz. All I Can Do é a última desta vertente, mas que, infelizmente, aposta em um estrutura tão caricata, com seus bordões de Jazz Fusion – a semelhança com Pat Metheny não passa em branco – que acaba se deslocando do restante do álbum.

Become Alive, afinal, oscila de energia. Uma característica difícil de evitar, se levarmos em conta que essa é uma obra “coletiva” e que reúne um grande time para sua execução. Entre exemplos mais Experimentais e outros mais puxados ao Jazz, a obra patina um pouco quanto a seu propósito, mas reúne alguns ótimos exemplos do que Harrington tem a oferecer.

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Autor:

é músico e escreve sobre arte