Resenhas

David Lynch – The Big Dream

Compositor continua se aventurando em território musical com seu Blues Moderno no segundo álbum solo de sua carreira

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Ano: 2013
Selo: Sunday Best Rocerding
# Faixas: 13
Estilos: Blues, Rock & Roll, Eletrônica
Duração: 55:16
Nota: 3.0
Produção: David Lynch, Dean Hurley
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fthe-big-dream%2Fid65

David Lynch acaba de lançar seu segundo álbum solo e continua se aventurando em paragens (nem tanto) desconhecidas e, assim, amadurecendo em território musical. Soando como uma evolução natural de seu álbum anterior, o esquisitíssimo Crazy Clown Time (esta aí o título justificando minhas adjetivações por si só), The Big Dream aposta nas influências de Blues e dos estilos de raiz do Rock’n’Roll, somados a elementos de música eletrônica para produzir o que o artista rotula de Blues Moderno.

Evidentemente um pouco mais à vontade neste território hostil do que no trabalho anterior, ainda se utilizando das cadências repetitivas de suas influências do Blues para manter as letras mais para o tom declamatório do que o cantado, por assim dizer, com sua voz esquisita, aguda, distorcida, caricata e propositalmente estranha, consegue recriar o típico universo de sonho (na verdade, pesadelo) de seus filmes. Apostando, aqui também, no ritmo próprio do ambiente em que habita, o que pode torna-lo difícil de digerir. Longe de querer entrar no mérito do assunto, a questão do ritmo de David Lynch já é bastante conhecida para quem acompanha sua obra cinematográfica, a qual, já se sabe, domina e executa com exímio louvor.

É óbvio que David Lynch não quer mudar de ramo e se tornar um grande músico profissional de sucesso, o que faz seus álbuns soarem como uma excelente curiosidade para seus fãs, que podem saciar a dúvida de como o cineasta se comporta com sua produção artística em geral, experimentando mídias diversas para suas criações, testando como cada qual se comporta em determinado campo estético. Claro, somando a isso o útil-agradável de levar, sem profundas reverberações no campo de sua vida profissional, a experiência de uma vida de músico.

Embora seguindo seu péssimo gosto para capas, The Big Dream conta com uma faixa cover de Bob Dylan (na verdade, mais uma cover da Nina Simone fazendo cover de Bob Dylan) e participação de Lykke Li na faixa bônus da edição especial do álbum, I’m Waiting Here (o anterior, Crazy Clown Time já havia contado com os vocais de Karen O.). The Big Dream (de novo, fica o título que não me deixa mentir) busca a essência das musicas na sua origem, através dos já conhecidos métodos não ortodoxos de criação de Lynch, como a inspiração nos sonhos e na meditação transcendental.

Estranho. Muito interessante. Tem que ouvir.

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Autor:

é músico e escreve sobre arte