Resenhas

Deap Vally – Sistrionix

Estreia de Lindsey Troy e Julie Edwards mostra um potente encontro entre o Blues e Garage Rock, provando que não é mais só uma hype

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Ano: 2013
Selo: Universal
# Faixas: 11
Estilos: Garage Rock, Blues Rock
Duração: 41:11
Nota: 3.5
SoundCloud: /tracks/95847108
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fsistrionix%2Fid63964

Somente onze faixas (catorze se contarmos a versão bônus do álbum) são necessárias para mostrar a ferocidade feminista da dupla formada por Lindsey Troy (guitarras e vocal) e Julie Edwards (bateria). Em Sistrionix, o duo Deap Vally mostra o quão incisivo consegue ser com sua música, que não à toa já foi comparada antes com bandas como The Black Keys e The White Stripes. Bom, esses paralelos até fazem sentido, visto a grande carga do Blues Rock na musicalidade das garotas, porém há também elementos do Metal/Hard Rock (de Led Zeppelin ou Black Sabath), Lo-Fi (Royal Trux), atitude do Riot Grrrl (L7) e ainda uma coisa ou outra da estética Indie (algo próximo de Yeah Yeah Yeahs em seus primeiros registros) no som das moças que fazem essas primeiras não muito válidas.

Ainda que o som delas soe com o encontro de tantas influências, a “fórmula” é extremantes simples: riffs grudentos, brutais e cheios distorção, uma bateria simplória e pulsante e, é claro, vocais cheios de raiva e energia. Essa “simplicidade” confere grande poder à musicalidade do duo, mas também certa sensação de coerência exacerbada que pode ser confundida como falta de variedade entra as faixas. Longe de se encerrar em uma mesmice sonora, o disco se apoia nessa constante tensão e abrasividade roqueira para criar um bom exemplar do gênero que sem dúvida alguma vai deixar muito marmanjo de queixo caído.

Extremamente urgente e às vezes violento, Sistrionix é um conglomerado de instrumentais brutos e uma produção que deixa essa proposta bem evidente, cheio de guitarras sujas e barulhentas e batidas precisas. Uma mistura nada inovadora, é verdade, porém muito eficaz. Em meio a tanto estrago, surge o teor feminista entoado por Lindsey em faixas como Woman Of Intention, Raw Material, Walk Of Shame e Gonna Make My Own Money. Ainda que nada aqui seja surpreendente (a não ser talvez a faixa escondida Spiritual, junto à Six Feet Under, que mostra um lado mais mole e performático do duo), o resultado é altamente satisfatório e não foge em nada do que as moças mostraram com seus primeiros singles e EPs.

Ainda que grande parte do álbum mantenha a qualidade (faixas como Baby I Call Hell, Gonna Make My Own Money, Creeplife e Lies) há outras totalmente dispensáveis, como a fraca abertura End Of The World ou a repetitiva e insossa Your Love, por exemplo. Ainda assim, elas não atrapalham no saldo positivo do álbum de estreia de uma das hypes do ano – que no fim das contas conseguiram justificar todo o falatório. Essa não é uma consagração – ainda há muito terreno a ser explorado pela dupla -, mas um primeiro passo foi dado na direção certa.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts