Death Cab For Cutie – Kintsugi

Álbum relembra elementos do passado da banda, ao mesmo tempo que cria novo caminho

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Ano: 2015
Selo: Atlantic/Barsuk
# Faixas: 11
Estilos: Indie Rock, Folk Alternativo
Duração: 45:07
Nota: 3.5
Produção: Rich Costley
Itunes: https://itunes.apple.com/us/album/kintsugi/id958998203?uo=4

Ser um fã de Death Cab For Cutie implica em apenas uma coisa: sofrimento. Desde o primeiro disco da banda, Something About Airplanes, nós (os fãs) estabelecemos um pacto em que recebemos lindas canções sobre relações humanas e, em troca, dávamos nossas lágrimas. É uma relação sofrível, mas que acompanhou a banda e seus admiradores por sete discos (uma marca louvável). Sofremos também porque incontáveis vezes fomos iludidos com boatos de uma vinda da banda ao Brasil, o que sempre revelou ser apenas um rumor. E agora, após sete obras, sofremos com a partida de Chris Walla, ex-guitarrista da banda, que saiu poucos antes de começarem as gravações deste novo trabalho.

É exatamente aqui, nesse momento frágil, que Death Cab For Cutie teve de fazer uma escolha muito difícil: Manter a sonoridade que lhe rendeu a fama ou seguir um novo caminho e deixar o passado para trás. Como vimos com o single Black Sun, ouvimos alguns indícios que a banda estava tentando dosar passado e futuro, mas não podíamos imaginar que Kintsugi levou esta noção ao extremo. O oitavo disco da banda é um diálogo vívido entre novas perspectivas e sonoridades idolatradas do passado, seja de uma fase mais consagrada como do disco Transatlanticism ou de discos que tentaram mesclar elementos mais Pop, como Plans. É um registro no qual é necessário entender a história do trio ou, caso contrário, sua percepção seria bem menos repercutida.

O sofrimento nas letras continua forte e é nítido que a partida de Walla afetou Ben Gibbard, vocalista e guitarrista da banda. Não que elas falem claramente de separações, mas a experiência influencia no tom do disco, apresentando ótimas baladas como Hold No Guns, You’ve Haunted All My Life e Binary Sea, todas com uma instrumentação que complementa a tristeza vocal (seja nas letras como na interpretação). Neste sentido, Gibbard faz jus à metáfora do nome do disco, que significa restaurar algum objeto com ouro deixando suas imperfeições a mostra, ou seja, ele cobre o sofrimento com algo nobre como sua música, mas ainda sim vemos as imperfeições.

Mas, calma, o disco não é todo essa depressão “Walla, nós te amamos, volte por favor”. A banda usa essa nova fase para tentar novas aproximações com uma espécie de Indie Rock mais Pop. Good Help (Is So Hard To Find) mostra isso, à medida que aposta em uma batida bastante envolvente assim como linhas de guitarra e baixo bem coladas. The Ghost Of Bervely Drive se assemelha a Long Division, do disco Narrow Stairs, mostrando que embora a banda arrisque esta sonoridade, ela já estava presente há um bom tempo em sua discografia (quase como se fosse uma releitura). Por fim, El Dorado aposta em sonoridades mais parecidas com um Post-Punk e uma batida disco distorcida.

Temos um momento interessante em sua história, afinal temos um Death Cab For Cutie novo, porém não tanto. Um novo que é velho (o que não significa que ele não é original). Uma nostalgia em novos termos. Enfim, é um disco que se envolve muito dentro da própria carreira da banda (o que tem seu lado ruim), mas usa esta mesma história para construir pontes para um futuro bem interessante.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.