Resenhas

Death From Above 1979 – The Physical World

Novo álbum do duo canadense privilegia peso

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Ano: 2014
Selo: Caroline
# Faixas: 11
Estilos: Rock Alternativo, Dance, Punk
Duração: 35:55min
Nota: 3.5
Produção: Dave Sardy

O segundo disco dos canadenses Sebastien Grainger e Jesse F. Keeler foi produzido por Dave Sardy, que já pilotou estúdios para gente como Oasis e LCD Soundsystem. The Physical World chega como o novo lançamento da marca Death from Above 1979, dez anos após a aclamada estreia, o explosivo You’re a Woman, I’m a Machine. A sonoridade que surge por aqui é uma espécie de Punk/Metal pulado e aerodinâmico, porem padecendo de um grande problema: a ausência absoluta de suíngue e intimidade com ritmos mais dançantes. The Rapture, por exemplo, banda militante nesta mesma vereda musical, oriunda da cena dançante de Nova York no início dos anos 2000, tem familiaridade com grooves curvilíneos em quantidade suficiente para sustentar algo minimamente harmonioso em termos de dança. Se o primeiro disco ainda trazia certo potencial, sobretudo pelas linhas de baixo, com o atual padrão DFA1979, o esquema se direciona para a pulação pura e simples e há quem goste.

A proposta deste novo trabalho é confeccionar canções com alto poder de octanagem e a coisa deve funcionar bastante em espaços fechados, clubes e lugares de médio porte. Em estádios e palcos maiores, a proposta deve se perder totalmente. É uma sauna pulante movida pelo casamento de instrumentos convencionais e efeitos, distorções e coisações eletrônicas, todas a serviço de uma barulheira pós-apocalíptica razoavelmente interessante. Os riffs do que se convencionou chamar de Stoner Rock aparecem à frente das vitoriosas linhas de baixo, às vezes com resultados impressionantes, caso de Virgins, cujos versos perguntam: “Where all the virgins gone?”. Importante salientar que todas as guitarras ouvidas no disco são, na verdade, efeitos obtidos pela dupla no uso de engenhocas eletrônicas diversas, devidamente acopladas ao baixo. O resultado é uma sonoridade pesada, metaleira, mamútica e sintética.

A pancadaria já começa na abertura, com Cheap Talk, rápida, raivosa e com cheiro de anos 80, se não fosse pelos efeitos simulados de guitarra, certamente atuais. Right On, Frankenstein já surge em seguida, impulsionada por uma levada metaleira clássica e rápida, chegando na já mencionada Virgins, lenta e pesada mas ainda ágil o bastante, devidamente impulsionada por riffs bem construídos e com pé nos anos 1970. Always On é outra canção com levada metaleira mais clássica, ainda que o baixo simule guitarras que executam trajetória sonora inesperada. Crystal Ball talvez seja a melhor do disco, com baixo agudo que simula guitarras dobradas, andamento rápido e vocais agudos saturados em efeitos. White Is Red tem uma introdução que remonta a alguma balada stoniana perdida nos anos 1970, mas engata num andamento mais convencional, com efeitos de teclados e bateria marcial. Trainwreck 1979 é apresentada por um exército de guitarras pulsando no baixo e vocais setentistas, enquando a bateria marca o ritmo no bumbo, para os instrumentos irem entrando aos poucos.

Nothing Left traz uma interessante fusão de Hardcore com Metal, sob uma ótica dançante de alguma forma, fazendo tudo caber nos mesmos dois minutos e meio de duração. Government Trash é a mais pesada canção do disco, ainda assim capaz de comportar andamento rápido e praticamente Punk, com cara de canção de fim de mundo. Gemini funde apitos, bateria em looping e efeitos numa espécie de Apocalipse controlado, que abre alas para a faixa título, que surge encerrando os trabalhos com mais porrada na pista de dança.

A dupla claramente optou por uma prevalência do peso sobre qualquer possibilidade dançante que pudesse existir em sua estreia. O resultado, ainda que mais estático, ainda permite a abordagem “Punk Dance”, mas exigirá certo esforço daqueles que quiserem outro movimento que não seja a pulação na roda de pogo que abrirá logo ali, ó.

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Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.