Resenhas

Dehd – Blue Skies

Com energia menos adolescente, power trio encoraja jornadas pessoais e introspectivas para a vida e, mesmo “garageira”, flerta com minimalismo

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Ano: 2022
Selo: Fat Possum Records
# Faixas: 13
Estilos: Indie Rock, Rock Alternativo
Duração: 32'
Produção: Jason Balla

A história de como Blue Skies surgiu é interessante: Dehd retornou aos palcos após o isolamento da pandemia e foi impactado pelos comentários dos fãs, que afirmaram o quanto suas músicas foram companhia e amparo durante a quarentena. O trio, então, decidiu entrar em estúdio e levar mais a sério seu ofício, sua mensagem e, por consequência, seu público.

Falar em “ambição” pode ser um exagero, mas é evidente a intencionalidade de fazer uma obra mais bem polida, com suas arestas aparadinhas, e um senso de responsabilidade diferente da energia teenager que gritava em suas músicas de antes. As faixas procuram dar conta do momento que vivemos, de ressignificar algumas alegrias e reaprender a ter esperança. Figuras de linguagem como o céu azul do título (retirado da faixa “Window”) vêm para ilustrar esses sentimentos.

“Stars” e “Dream On” são outras duas músicas que comunicam o, literalmente, “olhar para cima” e entender que há muito o que se viver do lado de fora da porta, mas também o que se explorar dentro do indivíduo. E, ao contrário de outras bandas que dialogam com essa época ao permitir que os ouvintes extravasem suas bad vibes, Dehd encoraja as jornadas pessoais e introspectivas para a vida daqui em diante, seja em pandemia ou não.

A própria união de seus instrumentos – o clássico formato power trio de guitarra, baixo e bateria – está mais subjugada aos vocais e às letras do que em vários momentos anteriores de sua carreira. Isso gera faixas que beiram o minimalismo, ou o mais perto disso que uma banda dessas, que dialoga com o indie rock e o rock alternativo de cunho mais “garageiro”, pode chegar.

Talvez seja um ponto de transição na carreira de Dehd, quando seus integrantes decidem permitir que seu som amadureça, ou talvez seja só uma fase. Até porque mesmo essa maturidade parece ter um teto um pouco baixo dentro da proposta da banda, que serve aos seus ouvintes aquela sensação de juventude perpétua que esse tipo de rock ainda consegue comunicar. O trio se levou mais a sério, mas é possível que, do lado de cá, isso não seja compartilhado.

(Blue Skies em uma faixa: “Window”)

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.