Resenhas

DESAMPA – Err

O caos urbano é apresentado em ritmo inverso através das sonoridades graves e sisudas do paulistano que ainda permanece anônimo

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Ano: 2013
Selo: Independente
# Faixas: 6
Estilos: Rock Alternativo, Eletrônica, Minimal
Nota: 3.0

Já é costume esperar de um músico brasileiro que ele imprima o mínimo que for da pragmática imagem que nossa cultura banhada em alegria, efusividade, tropicalidade e jogo de cintura costuma emanar aos quatro cantos do planeta. No entanto, DESAMPA faz o caminho inverso e ainda mantém sua identidade real em mistério, preferindo mostrar seus traços pessoais através de suas composições que se concentram entre a correria, a fumaça, o caos urbano e os momentos de solidão que uma cidade grande proporciona mesmo estando cercado de vários outros iguais.

O EP de estreia do músico ainda anônimo vem sob o título de Err, que pode mais soar como mais uma das onomatopéias das megalópoles do que significar em suma alguma coisa palpável. As melodias graves se estendem por todo o trabalho de seis faixas, que vem acompanhadas em grande parte por dados momentos ao piano. Streets of Soul, Life e To Build são os pontos altos do ideal construído pelo paulista, que traz em suas próprias criações a sonoridade do que poderia servir facilmente como trilha para um dia completo em uma cidade como São Paulo: Retratando o ruído, caos, violência e problemáticas em uma saída contrastante através de timbres eletrônicos etéreos, sisudos e frios, aplicados com classe. A bela carapaça vestida pelo cidadão ao sair de sua casa até seu destino é traduzida aqui em canções.

No entanto, faixas como Brave e Mindark apesar de seguirem a mesma sintonia, acabam se disvirtuando pela variação confusa entre a doçura e o austero, tanto nos instrumentos quanto nos vocais plenamente crus, que chegam a soar em alguns momentos como um Pop romântico perdido e sem muito efeito. Finalizando o trabalho, Love? amarra de vez o que foi incitado no começo, porém em uma malha eletrônica mais presente e densa, através de sintetizadores que beiram o minimalismo e uma finalização em looping que quase hipnotiza.

DESAMPA promove em seu primeiro lançamento um interessante passeio pela movimentação intermitente e sem rostos das grandes capitais. Através de uma variedade sonora um tanto incomum para os atuais produtores de conteúdo em ascenção, essa pode ser uma chance de despontar e atrair um nicho específico a longo prazo, haja visto qum amadurecimento técnico ainda é necessário para que o próprio deslanche de vez com suas composições entre muros de concreto e grades de metal.

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BOM PARA QUEM OUVE: White Lies, Hurts, Depeche Mode
ARTISTA: DESAMPA

Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.