Resenhas

Diane Coffee – My Friend Fish

Shaun Fleming, baterista do Foxygen, assume personalidade andrógina e registra uma excelente estreia à frente dos microfones

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Ano: 2013
Selo: Western Vinyl
# Faixas: 10
Estilos: Pop Psicodélico, Soul, Gospel
Duração: 32
Nota: 4.0
Produção: Shaun Fleming
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fmy-friend-fish%2Fid7

Shaun Fleming parece bastante distante do passado que usufruiu como personalidade mirim. Numa personalidade quase irreconhecível para a “criança astro da Disney” que dublou o Rei Leão da versão norte-americana, o adulto Fleming, agora com 26 anos, assume uma postura andrógina sob a alcunha de seu novo projeto solo, Diane Coffee, com seu álbum My friend Fish.

Fleming faz parte de outro projeto: toca bateria com os amigos do Foxygen (que, aliás, laçou um ótimo álbum no começo deste ano, chamado We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magic). Assim, é inevitavél a comparação com o anterior e impossível de evitar a menção de que é evidente a influência dos compositores Sam France e Jon Rado no trabalho de Fleming. O principal de Foxygen está também em My Friend Fish, da sujeira Lo-Fi proposital aos traços de uma certa doçura que permanece velada sobre os temas e arranjos das composições.

A excelente performance vocal do ex-dublador, temperado pelas dificuldades da vida agora adulta (na qual divide o apartamento com os amigos em Nova Iorque), resulta numa fórmula de muito bom gosto: uma atmosfera pesada de glamour decadente proposital, uma camada suja de poeira de sons saturados que nos impedem de esmiuçar o brilho de cada detalhe de cada canção, que, longe de ser um defeito, produz um resultado honesto, humano e de muita qualidade. Aproveitando-se ao máximo das adversidades friamente calculadas (o álbum foi gravado dentro do apartamento com pedaços de bateria e um violão desafinado para fazer as vezes de contrabaixo, por exemplo), a falta de recursos propositais ajudam na criação do clima do álbum.

My Friend Fish, que transita de um Soul funkeado até as cadências da primeira fase do Rock de Pink Floyd (Tale of a Dead Dog) ou mesmo ao melhor de Donovan em seu Sunshine Superman (embora um pouco menos psicodélico e mais dosado ao Swing) e mantém a mesma pegada Gospel-Pop de Matthew E. White (Hymn e All the Young Girls), encerra brilhantemente com a ótima Green, que resume o melhor do trabalho de Diane Coffe (fica então a dica: embora fora do protocolo, pode ser uma boa ideia começar pelo final e ter uma ideia do que te espera ao voltar para o álbum)

Seja tocado pelos Beatles de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, Velvet Underground ou The Mammas and Pappas, pela influência de seus companheiros de Foxygen, ou mesmo pelo psicodélico de Donovan ou pela alma gospel de seu contemporâneo Matthew E. White, Fleming, agora assumido como a personalidade de Diane Coffee utiliza tudo isso a seu favor e em seu universo próprio, registrando uma excelente estreia.

Diane Coffee – “Green”

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BOM PARA QUEM OUVE: Donovan, Foxygen, Matthew E. White
ARTISTA: Diane Coffee

Autor:

é músico e escreve sobre arte