Resenhas

Digitaria – Masochist

Grupo brasileiro faz um Deep House que merece nossa atenção em um EP de quatro faixas muito bem trabalhadas em suas referências

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Ano: 2012
# Faixas: 4
Estilos: Deep House, Indie Eletrônico, Electro
Duração: 22'
Nota: 4.0

Daniela Caldellas e Daniel Albinati são os dois nomes por trás do Digitaria.Estamos falando de um dos projetos de Deep House brasileiros mais bem sucedidos lá fora, com lançamento pós lançamento através de críticas muito positivas entre os adeptos do som. O Digitaria já passou por selo germânico (Gigolo Records) em 2006 e, quatro anos depois, com o brasileiro Emotion/Simulation. Dessa vez, quem assina é o selo Hot Creations, já conhecido pelo respeito de saber mesclar as mais diferentes influências pra fazer uma identidade sonora única, e o que podemos perceber é a ambição e ousadia do grupo de crescer e sair da zona de conforto trazendo um projeto mais audacioso.

Dessa vez, a dupla acumulou referências em companhia de Guilherme Santoro, Thiago Guimarães e Rafael Cury, mais conhecido como Funky Fat, que também conquistou Jamie Jones com sua originalidade. Resultado? Quatro faixas encorpadas, com synths, groove e vocais intensos em reverb que já estão em alta na BeatPort.

Masochist mantém a veia do Tecno bem forte, porém, dessa vez, com boas pitadas de Indie e Electro. E isso é possível ver na faixa que dá nome ao EP. “Masochist” traz o groove, o Nu-disco, baixo grave além de seus elementos do Disco até o Indie. Os vocais da Caldellas lembram muito o Clash, tão em voga na última década, e casam perfeitamente com a atmosfera da faixa, talvez a mais esperada do gênero.

O “padrinho” Jamie a tocou em diversas apresentações promovendo o projeto. E, talvez, tudo isso que foi falado serve também pra You Bring me Down, a outra faixa com colaboração do trio de Belo Horizonte. O reverb aqui disputa espaço com o Funk, Indie e pitadas mágicas de Nu-disco. Me atrevo, inclusive, a dizer que estamos falando da faixa que merecia mais destaque que Masochist.

Paradise traz uma sombriedade com synths e uma percussão deveras sutil, mais uma música agraciada pelos vocais em reverb de Daniela. Assim como a música pede (“Just close your eyes”), seria uma faixa que traz um magicismo único delicioso de se ouvir com olhos fechados. E Crazy Life vem pra trazer aquele ar frio que te faz relaxar em todos os sentidos, o que é auxiliado pelo baixo BPM. A justaposição dos elementos de House, mais fortes nessa faixa, mesclam com o Nu-disco com pitadas visíveis de Electro.

A obra vem como uma só, pedindo por cuidado pra não piscar o olho ou desviar a atenção. O nível de envolvimento se mistura com as letras de fácil assimilação dando um resultado leve, porém contagiante. O Techno house em Masochist dá espaço à personalidade, a elementos incomuns e uma ideia ousada que deu muito certo. Acredito que isso deu pra convencer de que a palavra da vez aqui é a inovação. E é nisso que as faixas do Digitaria trazem em sua essência: um grito de originalidade com a voz delicada de Caldellas.

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King