Resenhas

Dikembe – Mediumship

Grupo se destaca no cenário Emo graças à excelente dinâmica de novo álbum

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Ano: 2014
Selo: Tiny Engines
# Faixas: 10
Estilos: Emo, Emo Revival, Emocore
Duração: 30:19
Nota: 3.0
Produção: Dikembe

A emoção vinda do Emocore está provando que é muito mais forte e consistente do que todas intempéries pelas quais o estilo passou desde sua origem no final dos 80. De fato, após a saturação de bandas que mantinham certo apelo a um padrão de comportamento (ao invés de musical) no inicio dos anos 2000, a reação de revolta do público em geral contra o estilo acabou proliferando mais do que os jovens melancólicos adeptos do mesmo.

Mas agora, superando a crise e aproveitando o retorno de uma música que teve seu período dourado nos anos 90, e que gira em torno de um eixo composto de variantes do Hardcore (o Punk, o Post Rock e o Emo entre eles), diversos grupos voltam a representar a sonoridade que sempre lhes agradou.

Dikembe mantém o padrão básico do estilo ao agregar jovens americanos no periodo de transição para a fase adulta e seus conflitos emocionais típicos desta etapa da vida. Contudo, o grupo, em seu novo trabalho intitulado Mediumship, ganha destaque (e consequentemente qualidade) por duas caracteristicas raras: a temperança e a qualidade da produção, embora (positivamente) despretensiosa.

Com guitarras distorcidas devidamente equilibradas com timbres limpos, vocais que transitam das linhas melódicas mais tranquilas até os gritos típicos do estilo (mas sem exageros) e uma bateria que consegue fugir ao óbvio explosivo (e com um timbre ambiente super cristalino) Dikembe consegue garantir seu almejado lugar de destaque em meio à maré de inúmeros representantes do Emocore, embora não ofereça nada de necessariamente novo na estética de seu trabalho.

O retorno às origens do estilo anda enriquecendo bastante o trabalho das novas gerações que, aos poucos, consegue se livrar do estigma preconceituoso do marketing comportamental vendido pela indústria, superando no grande tiro pela culatra do Emo que tivemos hå cerca de dez anos. E é muito bom atestar isso na prática.

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Autor:

é músico e escreve sobre arte