Resenhas

Dingo Bells – Maravilhas Da Vida Moderna

Trio gaúcho produz obra sincera com ótima produção

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Ano: 2015
Selo: Independente
# Faixas: 11
Estilos: Rock Pop, Indie Rock
Duração: 41:57
Nota: 3.5
Produção: Marcelo Fruet

Por diversas vezes, já comentamos que ser um músico é uma responsabilidade tremenda. Você é o único responsável por transmitir seus ideais e impressões do mundo que o cerca e é preciso estar bastante atento a todos os elementos que formam o disco, afinal tudo deve estar em completa harmonia com seu imaginário.

É usando essa noção que Dingo Bells, um trio gaúcho bastante eclético, constrói Maravilhas do Mundo Moderno uma espécie de coletânea das experiências vividas pelos integrantes em seus anos de vida. A escolha do título foi retirada da faixa Mistérios dos 30, que Rodrigo Fischmann, vocalista da banda, sentiu que representava diretamente uma análise de fora para dentro de mundo em que a banda se localizava.

Em onze faixas, a banda procura usar suas mais diversas influências evitando se enquadrar em apenas um gênero. O trio procura adequar cada tipo de pensamento expresso nas letras às linhas instrumentais, desde um Groove com uma pegada firme e suave (Fugiu Do Dia), passando por um aura Lo-fi meio Bossa Nova (Bahia), chegando a um psicodelismo espacial que não economiza em reverbs e phasers (Anéis de Saturno). É divertido enxergar que esta pluralidade de influências em um mesmo registro não necessariamente torna um disco isento de uma identidade, mas contribui para mostrar o tamanho da complexidade da mente de um compositor. Ou seja, Dingo Bells mostra que sua identidade não se traduz em uma unidade de gêneros, e sim na quantidade diversa de sons que formaram os integrantes. Essa por si só é uma maravilha do mundo moderno.

A produção por conta de Marcelo Fruet se revela como um dos grandes destaques do disco, afinal cabe a ele ministrar a complexidade dos integrantes e ajudá-los a direcionar sua mensagem. Marcelo dá um ar único a cada faixa e torna a audição do disco uma trilha com diversas paisagens. Paisagens estas ilustradas com letras que expressam as maravilhas que a banda tem o privilégio, por assim dizer, de comtemplar. Dinossauros expressa uma divisão entre o mundo real e imaginário, Maria Certeza narra a história inquietante e poética de uma personagem que vive um caso de amor e, finalmente, Funcionário Do Mês se mostra como uma crônica moderna do trabalhador e seu cotidiano entendiante.

Dingo Bells lança um disco bastante sólido, no que diz respeito ao controle que tem sobre os elementos que formam o disco completo. Uma ótima estreia de disco que faz com que a banda entre em nosso radar para a produção de coisas novas. É dessa sinceridade que a música brasileira precisa hoje em dia.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.