Resenhas

Dinosaur Jr. – Hand It Over

Último disco antes de um hiato prolongado vem com ousadias particulares que extrapolam o rótulo de Rock Alternativo

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Ano: 1997
Selo: Blanco Y Negro, Reprise Records
# Faixas: 12
Estilos: Rock Alternativo, Indie Rock
Duração: 48'
Nota: 3.5
Produção: J Mascis

Toda banda com uma extensa produção de discos corre o risco de deixar alguns deles caírem em um tipo esquisito de “pseudo-esquecimento”. Algo como a agonia de um filho do meio: ao passo que não tem a importância e o protagonismo do primogênito, também já não carrega mais a novidade, o frescor, do caçula. Com mais de dez LPs em sua conta, este é o caso de Dinosaur Jr. Inevitavelmente, alguns desses registros passam batido até para alguns fãs. No entanto, um olhar mais atento pode, nessas brechas, encontrar diferentes perspectivas de entender a pluralidade do grupo.

Nesse sentido, Hand It Over (1997) disputa com outros três discos da mesma década: Green Mind (1991), Where You Been (1993) e Without A Sound (1994). Dos quatro, o de 1993 parece ser o que “melhor envelheceu” – ou seja, o mais ouvido até hoje. Apesar de ter ficado à sombra de WYB, HIO é um dos trabalhos mais provocadores do Dinosaur Jr. ao desafiar o que se entendia por Rock Alternativo nos anos 1990. O volume das guitarras e a qualidade das distorções continuam ensurdecedoras aqui, é claro. No entanto, havia uma nítida tentativa de agregar à barulheira alguns elementos que insinuam outras sensações para além da explosão adolescente. O que faz todo sentido ao lembrarmos que, na época, os integrantes da banda já estavam na casa dos 30. Há momentos no álbum em que nos deparamos com baladas (“I Know Yer Insane”), ou com o gingado caipira do Folk norte-americano (“Gettin Rough”) e é até possível sentir um toque da psicodelia da Costa Oeste dos Estados Unidos à la Red Hot Chilli Peppers (“Gotta Know”).

Contudo, se por um lado Hand It Over é um filho do meio, ele é o último antes de um hiato de dez anos do grupo. Nesse meio tempo, cada um dos participantes dedicaram-se a outros projetos. Assim, em certa medida, o disco fecha a primeira fase do Dinosaur Jr. retomando as raízes do que construíram até aqui e apontando para novas possibilidades que viriam no futuro. Tudo isso combinado aos anos de experiência que foram adquirindo com o passar do tempo. Em uma entrevista, J Mascis diz que este permanece sendo o seu registro favorito da década de 1990. A qualidade do álbum não o deixa mentir: Rock Alternativo que procura novos horizontes e não cai na mesmice.

(Hand It Over em uma faixa: “Nothing’s Goin On”)

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.