Resenhas

Diplo – Random White Dude Be Everywhere

Compilação do produtor traz sons antigos misturados a faixas inéditas, realçando o seu gosto pelas boas festas e drops de batidas nervosos

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Ano: 2014
Selo: Mad Decent
# Faixas: 12
Estilos: Trap, Hip Hop, EDM
Nota: 3.0
Produção: Diplo

Diplo parece estar confortável na posição que ocupa. Suas festas comandadas pelo seu selo Mad Decent não parecem ter fim quando ocorrem, levando as pessoas à loucura como se estivessem em um ambiente no qual pudessem se revelar de uma forma inesperada. Suas influências, sempre regionalistas, pontuais e com gosto pelo específico são extremamentes válidas, deixando outros estilos musicais um pouco menos marginalizados: escute qualquer um de seus sucessos e poderá perceber traços do Funk Carioca, Kuduro e Reggaeton (mais presente no seu outro projeto, Major Lazer). Logo, seu papel na música atual o permite, mesmo sem grandes lançamentos inéditos, se firmar em uma posição de domínio na Trap Music, sendo a maior referência do gênero

Random Dude Be Everywhere é mais uma compilação que engloba muito do que já foi visto anteriormente, servindo basicamente para quem desconhece o que o produtor lançou nos últimos anos e de quebra ganhar de bônus uma ou outra faixa (remix ou não) de brinde. Se resenhamos no ano passado o seu EP Revolution, a música aparece aqui novamente e abre a nova coletânea trazendo os mesmos vocais verticalizados, seu jeito Eletrônico de pista de dança com o público cantando junto: seu resultado é inevitavelmente pegajoso. Danny Diggz apresenta o seu remix para a canção, aumentando o BPM da música e criando um estranho Hip Hop rápido que funciona bem ao não perder o espirito anterior de seu sintetizadores altíssimos nos drops das batidas.

O grande valor da obra consiste nas quatro novas faixas presentes e suas variações remixadas. Boy Oh Boy, feita em conjunta com GTA, é extremamente bem feita, sendo facilmente compreendida logo nos primeiros segundos de execução – sua batida é empolgante, grudenta e mistura o melhor do Kuduro com seus sintetizadores agudos e um ritmo tribal que faz reverberar o conceito de Trap: o ouvinte se vê preso à batida em um ambiente inóspito e perigoso, deixando o instinto à flor da pele. O remix feito por Thugli segue o mesmo formato, mas, ao invés de esperar para diminuir o tempo no final da música, o faz em seu começo e a deixa crescer até que seu drop faça ainda mais sentido agora. 6th Gear, com Kstylis, é a canção Hip Hop do disco, nos fazendo imaginar a trilha sonora de um filme como Velozes e Furiosos sendo feita por Diplo.

Techno, com o rapper Wacka Flocka Flame, segue o mesmo padrão das criações do produtor: drop de batida com sintetizadores que oscilam o seu tom, grave altissimo e batidas tribais. Os versos aqui dão um pouco de autenticidade à faixa fugindo um pouco do esperado. Freak é puro Kuduro, mas feita com Steve Aoki, o que deixa as coisas um pouco mais “fritas” pela participação do doido produtor. Ao final, para quem não conhece seus já clássicos, temos ainda Express Yourself e Biggie Bounce.

Como apresentação a um público novo, a compilação funciona muito bem, trazendo o melhor do que já feito anteriormente com nova roupagem além de faixas inéditas. No entanto, mesmo para este ouvinte novo e para quem já está acostumado a escutar o produtor nas baladas, uma simples audição de Random Dude mostra que Diplo tem um padrão de composições bastante similiar, mas que funciona bem nas festas quando tudo parece fazer mais sentido.

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ARTISTA: Diplo
MARCADORES: EDM, Hip Hop, Trap

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.