Resenhas

Diplo – Revolution

Produtor não segue tradição de inovar com sonoridades regionais e faz álbum que mais parece b-side do Major Lazer

2,948 total views, no views today

Ano: 2013
Selo: Mad Decent
# Faixas: 6
Estilos: Trap, EDM, Hip Hop
Duração: 23"45
Nota: 3.0
Produção: Diplo

Diplo cada vez mais vem se firmando como produtor. Não só por conta do seu extremo talento, mas também por seu ímpeto visionário. Muitos artistas, seja do Pop ou Hip Hop, colam no Mr. Filadélfia para produção (último caso agora com Beyoncé, que descartou seu álbum que se encontrava praticamente pronto e chamou Diplo pra consertar e achar a fórmula do sucesso para tirar a má imagem de 4). E é bem nessa linha. O DJ se consagrou justamente por sua curiosidade com os sons típicos de cada país e fazer uma mistura de influências, sempre atento ao que pode dar certo nas rádios e pistas. Assim nasceu Decent Work for Decent Pay,Express Yourself (no ano passado) e agora Revolution.

Com quatro músicas inéditas (duas já liberadas na blogosfera) Revolution firma ainda mais as raízes de Diplo no Dancehall e no Trap. Houve uma preferência maior em se aproximar mais do EDM, principalmente em Revolution (tem potencial de Clarity, do Zedd) e Crown, com apelo vocal bem forte (digno de grandes públicos) com drops bem marcados. Rock Steady soa como um impulso de Diplo por sua terra que vinha reprimido há alguns trabalhos. Forçou no Hip Hop com Action Bronson, RiFF RAFF, Mr MFN e o lendário vocal de seu último EP, Nicky Da B. Isso sem contar os dois remixes com Boaz van de Beatz e TWRK. O primeiro vem com uma proposta soft no início como Get Free e logo evolui para um Trap com agudos acentuados. Bom firmar que, na maioria das produções de Diplo, o segundo drop sempre vem com mais camadas e um tom acima nos sintetizadores, o que enloquece ainda mais quem ouve. O segundo vem como um edit da música que abre o EP, quase que imperceptível com alguns cortes vocais a mais, apenas.

2012 soou mais raíz, com o trabalho em Express Yourself. A possibilidade de hits (ou singles) era maior, e as músicas já vinham praticamente para ocupar lugar em sets. Isso sem contar a força na marcação que tem. Impossível não impressionar com as buzinas do Funk Carioca misturando com o Moombahtoon (ou Dutch?) da faixa que dá nome ao EP, o Dubstep de Barely Standing ou os graves de No Problem (olha que nem citei as melhores ainda). Revolution, apesar de também apresentar muita qualidade, soa mais como os B-sides de um trabalho do Major Lazer, sem muita personalidade própria (salva a quarta faixa) e um ímpeto grosseiro de pertencer às rádios. O foco se mantém no Trap, o Dubstep ganhou férias e o EDM tomou conta. Não soa como um álbum do Diplo, que sempre trouxe consigo muita influência sulista, muita referência de grandes nomes (samples, pacote de synths, etc) ou um estudo de outro gênero músical que não seja central americano. Claro que técnica existe de sobra e os pontos positivos não são poucos. Trabalhar com Angger Dimas, Travis Porter, Mike Posner passa afinidade, como a Mad Decent geralmente transpassa. Revolution e Crown já estão fazendo barulho em clubs e grandes festivais.

Pra facilitar, os trabalhos de Diplo nem sempre merecem um olhar tão crítico. Funciona muito como uma vitrine de seu próprio selo e uma forma de extravasar o que foge da proposta de seu projeto com Jillionaire. Quando a vida de empresário mistura com a de produção nem sempre o que mais importa é a identidade musical ou o número de singles. Boys Noize ou Jay-Z estão aí pra concordar comigo. Mas uma coisa é certeza: Revolution ainda vai nos trazer boas memórias durante os próximos meses.

2,949 total views, 1 views today

BOM PARA QUEM OUVE: GTA, torro torro, Major Lazer
ARTISTA: Diplo
MARCADORES: EDM, Hip-Hop, Trap

Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King