Resenhas

Disclosure – Caracal

Segundo álbum da dupla vem repleto de hits e boas parcerias

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Ano: 2015
Selo: Universal Music
# Faixas: 11
Estilos: House, Future Garage, Pop Eletrônico
Duração: 52'
Nota: 4.0
Produção: Disclosure
SoundCloud: /tracks/207333576

A principal diferença entre Caracal e Settle, o álbum de estreia da dupla Disclosure, está no público. Se antes um certo “fator surpresa” contribuiu para que os nomes envolvidos no disco (não só os irmãos Lawrence, mas também Sam Smith) entrassem para o mundo da música pelo tapete vermelho, a nova obra traz bem o que poderia ser esperado da dupla – a não ser que sua expectativa fosse ser surpreendido novamente.

Neste mercado, grandes públicos trazem grandes responsabilidades. Para cumprir a missão do lançamento pós-Settle, Disclosure convocou uma liga de convidados que, se por um lado mostram a “moral” que esses dois ingleses possuem hoje em dia, revelam também que o duo optou pela zona de conforto com parcerias garantidas: Lorde, The Weeknd, Miguel e novamente Sam Smith, só para citar alguns.

Mesmo se você não leu outra crítica sobre o disco, é provável que já tenha ouvido comentários de outros fãs de música, e são todos muito bem fundados. Um outro ponto de vista, porém, ajuda a enxergar as melhores características da obra e seu devido valor.

Acontece que a tal “zona de conforto” de Disclosure, quando comparada às de outros artistas, é praticamente um Olimpo (daí também a presença de tantos “divos”). Em um universo sem Settle, Caracal teria reconhecimento semelhando ao que seu anterior teve e, mesmo quando nota-se uma leve queda na qualidade de um lançamento para o outro, ela não é grande o suficiente para desmerecer uma coleção de faixas tão boas.

Holding On, com Gregory Porter, é daquelas músicas que requerem um certo esforço para não gostar, enquanto a participação de Kwabs em Willing & Able vem ao encontro de uma atmosfera encantadora. Omen, com Sam Smith, nunca será Latch, mas permanece muito acima da média das outras canções de teor Pop que a temporada produziu.

Lorde e sua Magnets vem um tanto discretas no meio do disco à primeira vista e ganham mais e mais força no repeat. A nostalgia de Good Intentions tece a rede que comporta a voz de Miguel em um dos melhores momentos do álbum – posto dividido com Jaded, uma das duas únicas faixas que Disclosure assina também os créditos dos vocais.

Caracal é um disco de hits e pode ser cansativo enfrentar a obra repetidas vezes sem um “respiro” (como Years & Years soube fazer em Communion, para usar um exemplo recente em uma obra também feita por “músicas para bombar”) – Masterpiece cumpre o papel justamente na última faixa. Certamente, o maior defeito é a urgência em agradar novamente um grande número de pessoas (seja isso um processo interno dos dois Lawrence, ou pressão dos outros envolvidos no lançamento).

Menos memorável que o anterior, porém digno de atenção, Caracal ou revela que a identidade de Disclosure é essa de saber arquitetar grandes hits, ou prepara o terreno para futuras experimentações do duo após ter cumprido suas tarefas necessárias para garantir a estrutura dos próximos trabalhos. Enquanto o tempo não revela o amanhã, dancemos sem expectativas.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.