Resenhas

Disclosure – The Face

O duo inglês tem habilidade de misturar elementos de Soul, UK Garage, R&B, Dubstep, House e Deep sem parecer amadorismo

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Ano: 2012
Selo: Greco-Roman
# Faixas: 3
Estilos: Deep House, Chillwave, RnB, Soul, UK Garage
Duração: 12:49
Nota: 4.0
Produção: Greco-Roman

Os irmãos Howard e Guy Lawrence fazem parte da leva de produtores adolescentes que não estão de brincadeira, e olha que estamos falando de uma audácia de garotos com idade de 17 e 20 anos, respectivamente. O duo inglês estourou no início do ano passado e já vem consolidando o nome na esfera Bass/Dance Culture. Em um universo onde pairam os beats mais sofisticados, Disclosure entra na onda do Joy Orbison e Flying Lotus, com pitadas de R&B do HudMo e um pouco de tudo que já conhecemos dos brasileiros Digitaria.

O barulho todo veio em 2010, depois do lançamento do primeiro single dos meninos, Offline Dexterity, pela Moshi Moshi. Um ano depois, XLR8R publicou Carnival, dando uma cara Chillwave com uma progressão significativa de synths e batidas que se aproximam de um Electro menos agressivo, e I Love… That you know lembrando muito o ímpeto de James Blake com corte e key dos vocais. Ambas as faixas, lançadas pela Transparent, já mostravam a cara do projeto, com percussão forte, synths densos, uma veia forte de electro e vocais sutis mecanicamente alterados que vemos até hoje com o lançamento de The Face.

Em uma época em que o UK Garage está em alta como influência, os produtores trazem três faixas que resgatam o gênero ao misturá-lo com o que há de mais notável na estética do Dubstep com a melodia do R&B. E é bem assim que o duo produz seu novo EP, percorrendo por todas suas influências (que parecem nunca acabar), mostrando a nova fase da dupla.

Boiling dá início ao EP com um vocal delicioso nas batidas quentes típicas de um Deephouse Chillwave macio e linear. Sinead Harnett traz o soul para a faixa, que mistura synths lineares com batidas quebradas. De cara, já mostram a maturidade de criar uma base perfeita que ebule diante do timbre e das letras de Sinead. O reverb aqui cria os loops ideais pra compor o suspiro do vocal, dando a ideia de verão que tanto queriam.

Em seguida, temos What’s In Your Head, que foge completamente dessa coerência que inundou Boiling. Aqui, os compassos são desconexos, assim como os cortes no vocal. A faixa faz maior uso dos sintetizadores, mostrando mais ritmo com uma linha de baixo mais arredondada. Aqui os loops brincam com a percussão encorpada dos mais variados elementos que lembram o SBTKT e, no entanto, também cobrem o Deep House.

Chegamos então em Control, que conta com a colaboração de Ria Ritchie no vocal. A faixa, que já havia sido disponibilizada antes do lançamento do EP pela BBC1, deixa o território clean e propõe uma linha de baixo mais carregada. É impossível não se lembrar do que HudMo fez em Pleasure Principle. O vocal aqui é inconsistente e varia mecanicamente no key. Talvez, o que mais mostre crescimento é que o Funk interage com o R&B, deixando a faixa fluir naturalmente diante do reverb. O groove aqui não é forçado, ele simplesmente acontece. Control faz jus ao nome quando demonstra habilidade de misturar tantos elementos sem parecer amadorismo, mas uma pesquisa.

O impecável trabalho do Disclosure com The Face foi reconhecido. A nova leva de produtores novos parece ter conseguido a receita perfeita. É nítido o crescimento e a maturidade da dupla ao mesclar tantas influências sem que pareça inexperiente ou carregado. A crítica, que adora usar esses argumentos, se calou diante da habilidade de mesclar os vocais e suas variações com o 2-step, com Soul, UK Garage, R&B, Dubstep, House e Deep. Minha nota ao The Face só não é maior justamente por conta disso: Todos os elementos foram usados exacerbadamente em todas as faixas, o que, depois de algum tempo, não se dava pra saber a diferença entre uma e outra. O certo seria se o EP tivesse mais faixas que distoassem do que foi feito ou quebrar com a mesmice em uma das três, usando elementos diferentes. Isso mostra um pouco de ansiedade da dupla em mostrar trabalho, mas, de qualquer forma, elas revelam que não é com idade que se constrói a técnica e o talento. Com o resultado de The Face, muitos veteranos deveriam abaixar a cabeça para o Disclosure.

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BOM PARA QUEM OUVE: Joy O, Hudson Mohawke, Digitaria
ARTISTA: Disclosure

Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King