Resenhas

Doldrums – Lesser Evil

Disco de estreia aparece como uma compilação de fragmentos de uma explosão cerebral, em que as faixas se apresentam entre o catártico e o psicodélico, sempre com base no experimental

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Ano: 2013
Selo: Arbutus Records
# Faixas: 11
Estilos: Eletrônico, Experimental, Psicodélico
Duração: 38:27
Nota: 3.0

Se “calmarias”, aquelas correntes marítimas presente nos oceanos, é a tradução do inglês para Doldrums, podemos dizer que elas possuem um comportamento bem variável ao se deslocar pelos oceanos, onde, no caso, o oceano em questão se chama Lesser Evil. O primeiro LP do canadense Airick Woodhead, o nome por trás da alcunha Doldrums, se resume a um eletrônico experimental com presenças dos mais variados elementos da Eletrônica, desde o mais tradicional, até samples e sons computadorizados.

A obra é bem esquizofrênica, e isso não necessariamente é ruim. As faixas fazem um passeio tanto por sons mais catárticos e experimentais quanto por outros mais calmos, mas nunca perdendo suas texturas eletrônicas. A voz de Airick. é outro elemento a parte. Se algumas vezes, principalmente no início do disco, ela se apresenta como uma mistura de vozes de Thom Yorke e Neil Tennant do Pet Shop Boys, ao decorrer do álbum vemos mudanças a transformando numa voz andrógena, híbrida e que se torna mais um elemento a tornar a obra esquizofrênica, oscilando a todo instante. Vocais esses que se apresentam nebulosos ou arrastados e que dificilmente são compreendidos com nitidez, deixando assim o foco do ouvinte todo no instrumental. Muito provavelmente esse seja até o intuito do artista.

Na construição da obra observamos um certo paradoxo, pois as faixas sempre aparecem diferentes, com variações instrumentais. Entretanto, a sua “base”, se assim podemos dizer, que é o eletrônico experimental com doses psicodélicas, se mantém ao decorrer da execução de praticamente toda a obra. Todavia, algumas músicas se mostram um pouco diferentes desse modelo. É o caso de Egypt, que facilmente poderia ser trilha de algum filme de ficção científica dos anos 70, daquelas dignas de robôs feitos de alumínio e com naves de painel de espuma.

Os pontos de maré baixa, que também são pontos de diferenciação, são encontrados nas faixas Singularity Acid Face e Lost in Everyone, que se distinguem por serem em um certo slowmotion, ficando com cara do que estão chamando de Vaporwave. Painted Black, que fecha o álbum, também pode entrar no grupo das mais tranquilas e menos confusas e intensas, pois mesmo seguindo ainda o modelo experimental psicodélico, aparece como um ar mais suavizado e funciona bem para o encerramento da obra – mesmo com um leve crescimento nos últimos segundos.

Como uma bagunça arrumada, Doldrums aparece, principalmente para fãs de um experimentalismo eletrônico que vai desde o etéreo ao mais intenso e catártico, como o de Björk e Ultraísta, ou de sua conterrânea e parceira musica Grimes, sendo mais uma opção de som que se apresenta como onze fragmentos de um explosão cerebral transformada em música.

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Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).