Resenhas

Drake/Future – What a Time to Be Alive

Parceria chama mais atenção por sua repercussão do que por seu contéudo

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Ano: 2015
Selo: Epic / Cash Money
# Faixas: 11
Estilos: Hip Hop
Duração: 40:30
Nota: 3.0
Produção: Allen Ritter, Boi-1da, Frank Dukes, Metro Boomin, Neenyo Noë,l Noah "40" Shebib, Southside

Quando a parceria entre Drake e Future foi anunciada há algumas semanas, a atenção se voltou para a reunião de dois rappers relevantes do cenário atual do Hip Hop como se fossem a salvação da música. Por alguns instantes, tivemos a impressão de que poderia se tratar de um novo Watch The Throne, relevante disco feito por Kanye West e Jay-Z. Ao final de What a Time to Be Alive, as comparações terminam e a obra conjunta se revela muito mais modesta.

A produção robusta, mas extremamente semelhante aos últimos trabalhos de Drake, principalmente sua mixtape de 2015, traz batidas minimalistas, usa excessivamente sintetizadores para engordar o ambiente e dar a sensação de profundidade, além de seus usuais loops hipnóticos. Por essa constatação, já se poderia perceber que a nova mixtape não traria nada além do esperado, a não ser o famoso dueto entre os rappers – fato que não se mostra inusitado dado que Drake participou do disco de Future, mas que poderia finalmente render algumas boas faixas. Isso acontece em alguns momentos, como na ótima Diamonds Dancing, composição que traz uma balada coincidente e interessante – talvez seu melhor dueto.

Change Locations é o tipo de balada que não teria como dar errado, principalmente pelo gancho de voz característico de Drake (o rapper costuma repetir frases nas quais sua voz ficam extremamente melódicas). No entanto, nem todas as baladas são interessantes e os momentos mais focados nos clube como Jumpman ou Big Rings acabam funcionando bem também. Algumas faixas, entretanto, incomodam por parecerem muito rasas, como Live From The Gutter, Plastic Bag e Scholarships – canções que parecem ter sido tiradas de uma sobra de batidas de If You’re Reading This It’s Too Late e que se salvam pela sua estrutura conhecida e seus refrões pegajosos. Em qualquer um desses momentos, é Drake quem rouba a cena, apesar de Future ser sempre o protagonista e cantar em dois terços da obra. Suas vozes não combinam muito e demonstram que, mesmo diante das últimas polêmicas envolvendo “escritores fantasmas”, o rapper de Toronto está muito à frente ao de Atlanta.

Quando as composições são individualizadas, Jersey (feita só por Future) e 30 for 30 Freestyle (Drake), vemos que as partes separadas são inevitavelmente mais interessantes que a parceria nas duas melhores faixas de What a Time to Be Alive. Mesmo não sendo uma mixtape ruim, longe disso, a obra não chega a chamar atenção em um ano repleto de ótimos lançamentos de Hip Hop e provavelmente ficará ainda as sombras da melhor obra do ano de Drake, If You’re Reading This It’s Too Late. O “trono” parece continuar onde estava.

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BOM PARA QUEM OUVE: G.O.O.D Music, 2 Chainz, Kanye West
ARTISTA: Drake, Future
MARCADORES: Hip Hop

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.