Resenhas

Dry the River – Shallow Bed

O álbum de estreia da banda inglesa trabalha bem todos os clichês do Folk em uma obra que parece não se propor a ser original, mas a nos entregar belíssimas composições – e isso o disco fez muito bem

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Ano: 2012
Selo: Sony
# Faixas: 11
Estilos: Folk Rock, Indie Folk, Folk
Duração: 51:35
Nota: 4.0
Produção: Peter Katis

Quem ouve muita música Folk – assim como quem ouve muito de um determinado gênero – costuma absorver um lançamento com os filtros preparados para identificar os lugares comuns já ouvidos antes. Quem faz isso corre o risco de classificar um som com muitos elementos familiares como pouco original, ainda que, por outro lado, existe a chane de perceber como a banda ou artista soube exercitar bem a linguagem própria daquele estilo.

Gosto de pensar que Shallow Bed, a estreia da inglesa Dry the River, se encaixa na segunda categoria. O disco sabe emocionar como poucos ao trabalhar a pegada da música do campo com o Rock de Londres, como o Mumford and Sons fez há alguns anos. Com isso, a banda tem tudo para se tornar a nova queridinha dos fãs do gênero.

Esse seu primeiro álbum carrega uma grande melancolia em faixas sobre perda e o medo de não saber viver sozinho – mais ou menos como o The Clearing do Bowerbirds – todas marcadas por um vocal muito emocionado que deve agradar quem ouve Bon Iver, mas que também deve ser bom pra quem não curte a banda de Justin Vernom, já que aqui a voz vem com uma força bem diferente.

Parte da energia do disco vem do trabalho do produtor Peter Katis, que já trabalhou com Interpol, The National e Jónsi, entre tantos outros. Ele soube trabalhar uma riqueza sonora em cada uma das onze faixas seguindo a tradição desse estilo campestre, com uma grande variedade de timbres (principalmente de cordas) acompanhados pela marcante eletricidade da guitarra, como nos singles New Ceremony e The Chambers & The Valves.

Voltando à questão sentimental nas músicas, o álbum trabalha bem os assuntos comuns do gênero em versos altamente poéticos usando figuras de linguagem emprestadas da vida no interior, como em “Como bois em debandada, nossos corações são um rebanho”, de No Rest. Essa é, inclusive, a terceira de uma incrível sequência de faixas (com Demons e Bible Belt) que soam quase como começo, meio e fim de uma mesma narrativa – certamente o ponto mais alto de Shallow Bed.

Junte toda essa emoção à liberdade de criar dentro do Folk sem medo de inovar – algo que o Fleet Foxes, por exemplo, sempre fez – e esse trabalho da Dry the River é facimente classificado como um ótimo lançamento do gênero. Ele não parece se propor a ser original, mas a oferecer belíssimas composições para os ouvintes desse estilo. Prova disso é Lion’s Den, a faixa que encerra o disco com uma sensacional piração sonora, que logo dá vez à Family, uma música escondida que finaliza de vez o álbum retornando ao clima que tanto gostamos.

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BOM PARA QUEM OUVE: Bon Iver, Bowerbirds, Fleet Foxes
ARTISTA: Dry the River
MARCADORES: Folk, Folk Rock, Indie Folk

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.