Resenhas

Dutch Uncles – O Shudder

Quinteto inglês explora os anos 80, mas não deixa de mostrar sonoridades familiares aos fãs

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Ano: 2015
Selo: Memphis Industries
# Faixas: 11
Estilos: Chillwave, Pop Alternativo
Duração: 41:23
Nota: 3.5
Produção: Brendan Williams

Dutch Uncles é uma das bandas mais subestimadas dos últimos anos. Tendo em sua discografia grandes sucessos de crítica como Cadenza e Out Of Touch In The Wild , a banda firmou desde cedo uma identidade musical muito consolidada, propondo sempre uma releitura do Pop que fosse além de padrões comuns. Não que esta identidade fosse uma fórmula de composição repetida à exaustão, mas toda a engenharia de som e as sonoridades exploradas pelo grupo, fizeram um ambiente que, quando escutado alguns segundos, automaticamente já nos lembramos do grupo. Com o anúncio do lançamento de seu quarto disco, ficamos curiosos para saber como a banda lidaria com esta fórmula e, principalmente, como inovaria seus limites sempre superados em obras passadas.

Dito e feito. O Shudder explora novos horizontes seguindo não só uma linha, mas um contexto de toda uma década. Aqui, os anos 1980 estão representados fortemente seja na instrumentação ou nas vozes, sempre levando em conta suas raízes e procurando não sobrepor novas influências ao um estética consolidada que agrupou tantos fãs. Em um disco que lembra muito Wild Beasts (fato que chega a ser um pouco irritante), “batidas” Synthpop regem uma boa parte das músicas, acompanhadas por pads extremamente nostalgicos que beiram uma estética Vaporwave. Além disto, em alguns momentos a banda opta por compor com uma abordagem mais acústica que parece por um momento abandonar os anos 80, mas bastam alguns segundos para perceber que esta década esta distribuida em outros elementos da música, como letras, sintetizadores e estruturas de composição.

Por mais que a influência de Wild Beats chegue a incomodar, o disco não nos deixa se entediar em nenhum momento, mesmo possuindo uma estética mais relaxante do que seus outros discos. Em um dos melhores momentos do disco (talvez o melhor), a faixa Given Thing mostra como a banda consegue mesclar todas as suas referências e ainda sim respeitar seu passado. Usando escalas mais insusitadas para compor a melodia vocal e a harmonia base, a banda respeita seu passado e utilizando mais cordas, backin vocals considerados “bregas” e bastante reverb. Outros ótimos momentos do disco incluem a faixa de abertura Babymaking, Don’t Sit Back (Frankie Said) e a hipnótica e belíssima TIdal Weight.

Por fim temos um disco que atende às nossas expectativas, não sendo entendiante nem repetitivo. Um ótimo registro para se começar a escutar a banda, sendo na verdade até mais acessível do que as outras três obras. É um álbum que pode ser interessante de se escutar ao vivo, à medida que as possibilidades mistura com uma linguagem audiovisual são infinitas. Vale a pena rezar uns terços para a banda considerar uma turnê sulamericana.

Um teletransporte aos anos 80 no verdadeiro sentido da palavra. Muda-se a época, mas não o sujeito.

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BOM PARA QUEM OUVE: Wild Beasts
ARTISTA: Dutch Uncles

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.