Resenhas

Dutch Uncles – Out Of Touch In The Wild

A paradoxal busca pelo futuro através do passado dá a tônica do terceiro disco da banda de Manchester

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Ano: 2013
Selo: Memphis Industries
# Faixas: 10
Estilos: Indie Pop, Prog Pop, Art Pop
Duração: 37:20
Nota: 4.0

Por mais paradoxal que pareça, olhar para o passado também é uma forma de construir o futuro. É nessa ideia que o quarteto Dutch Uncles se apoia para criar uma espécie de som vanguardista baseado em um Pop retrô. O grupo de Manchester chega a seu terceiro disco, Out Of Touch In The Wild, apresentando essa ambivalência que se acentua em alguns pontos da obra e mostra o quão palpável é este paradoxo.

Categorizado como “Smart-Pop” (algo como “Pop Inteligente”), o grupo se encaixa na mesma safra de artistas como Field Music, Alt-J e Everything Everything, mas cria uma identidade própria ainda assim ao apresentar um olhar bem singular do tal gênero (que de fato não existe).

Essa “inteligência” surge de forma sutil, seja através de complexas composições, construindo faixas utilizando compassos não usuais ou misturando harmonicamente instrumentação tida como erudita (principalmente violinos e pianos) a que é usada geralmente na Música Pop, ou ainda através do lirismo esperto e coerente à sonoridade apresentada pelo grupo. O ponto mais importante aqui é que o grupo sabe fazer um Pop sem ter que recorrer a fórmulas ou estruturas pré-fabricadas, elaborando um som que fuja do comum, mas que ainda assim se mantenha acessível.

Duncan Wallis e sua turma ainda continuam seguindo rumos experimentais e brincam bastante no background, porém fazem isso de forma amigável, sem que o ouvinte estranhe o tom exploratório da obra. A faixa Godboy é talvez a que melhor exemplifique isto, mostrando muitos dos elementos que tornam o som da banda tão singular – como a presença dramática violinos, os vocais únicos de Duncan e a alternância de momentos calmos e agitados-, unidos em uma só canção.

As referências ao passado estão espalhadas por todo o álbum e são visíveis na aura New Wave de algumas faixas (Threads) ou ainda na presença do Synth Pop em outras (Fester), porém é o olhar para o futuro que parece motivar a banda.

Em Out Of Touch In The Wild, há também espaço para músicas dançantes (Flexxin), atmosféricas (Zug Zwang) e sonhadoras (Phaedra), cada uma apresentando climas e ideias diferentes de como soará o Pop no futuro.

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ARTISTA: Dutch Uncles
MARCADORES: Art Pop, Indie Pop, Prog Pop

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts