Resenhas

Eagles of Death Metal – Zipper Down

Quarta obra do duo continua com misto acelerado e cômico

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Ano: 2015
Selo: Universal Music
# Faixas: 11
Estilos: Boogie, Rock & Roll, Blues Rock
Duração: 34"
Nota: 3.0
Produção: Josh Homme

A este ponto, creio que o duo Eagles of Death Metal já não pode mais ser considerado um pastiche de si mesmo. Seus três primeiros discos já deixaram bem claro que a dupla tem como meta mexer alguns quadris e não exatamente ser um grupo revolucionário dentro do cenário Rock & Roll. Zipper Down é mais uma das obras para remexer a cintura enquanto se estampa um sorriso no rosto ao ouvir as histórias que os amigos Jesse Hughes e Josh Homme contam em suas letras cheias de um humor ácido e às vezes lascivo.

Apesar de ter Homme (líder do grupo Queens of The Stone Age) como um de seus membros, quem rouba o show em EoDM é de Hughes, que assume microfone, guitarras e papel de cronista de uma vida no mínimo conturbada. Josh assume as baquetas e mesa de produção, um papel que ostenta desde o primeiro disco da dupla, lançado em 2004. De lá para cá, pouca coisa mudou no som do grupo, que continua com sua mistura roqueira hedonista, dançante e, em alguns momentos, vulgar. Ao passo que a vida de ambos foi virada de cabeça para baixo nessa uma década que se passou.

Como os holofotes estão apontados em Hughes quando o assunto é EoDM, é nele que vamos focar. Jesse foi nomeado recentemente pastor de uma congregação protestante, se casou com uma ex-atriz pornô chamada Tuesday Cross, entrou em batalhas judiciais pela guarda de seu filho e ainda teve tempo de filmar tudo isso em um documentário nomeado The Redemption Of The Devil. Em meio a tudo isso, surgiu Zipper Down que se desapega do presente de Hughes e parece, de alguma forma, buscar uma válvula de escape ou uma conexão com seu passado – pelo menos no que diz respeito à música.

Nada de cânticos sacros ou canções que envolvam certo nível de espiritualidade. A música do duo ainda bebe de uma fonte muito carnal e se desdobra, mais uma vez, em um Rock sujo e divertido, que tem como intuito ser o propulsor de danças descontroladas nas pistas de dança. Há aqui e ali o Blues Rock e Boogie, que ficam proeminentes nos ótimos riffs de Hughes, e certo teor revivalista ao buscar no passado algumas tendências já há muito esquecidas. O resultado é uma obra de ritmo acelerado (como você ouvirá em Got A Woman) e de clima bem humorado (Complexity ou Oh Girl) – em alguns momentos, até mesmo depravado (Silverlake e Skin-Tight-Boogie).

Para quem já acompanha a banda há algum tempo Zipper Down é mais um divertido disco da dupla que não deixa a desejar em relação aos outros, ao mesmo tempo que não não adiciona nada à agitada mistura de seus demais trabalhos. A única real surpresa do álbum fica por conta do cover de Save A Prayer, de Duran Duran, que, apesar dos timbres crepitantes, pouco muda em relação ao original britânico. Sem dúvidas, essa é uma daquelas obras para se ouvir de mente vazia e copo cheio.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts