Resenhas

Eels – The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett

Sem muitas novidades, disco se destaca pelo ótimo casamento entre letras e instrumentação

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Ano: 2014
Selo: E Works Records
# Faixas: 13
Estilos: Folk, Indie Folk, Indie Rock
Duração: 40:20
Nota: 3.0

Há quase 20 anos, Mark Oliver Everett é conhecido pelo seu projeto Eels, época em que o músico lançou onze discos, e The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett, seu décimo primeiro, mostra mais um pouco mais do que ele já apresentou ao longo de todos estes anos. Não espere nada de novo, diferente ou ousado, como aconteceu em Wonderful, Glorious (2013). Aqui, há mais daquele Indie Rock misto do Folk que sempre esteve diluído na música do compositor.

Não há muitas novidades nos arranjos nem mesmo nas temáticas, porém o disco torna-se tão interessante exatamente por juntar muito bem essas duas partes e apresentar um resultado profundamente emocionante. Em suas treze faixas, ele percorre temas como recriminação, amores perdidos, arrependimentos do passado e até mesmo momentos de autodescoberta e autoafirmação. O conflitante álbum parece ser fruto de uma “crise” de Mark, que chega agora à casa dos 50 anos e parece olhar para seu passado tentando achar e fechar os buracos deixados nele.

Aqui, há uma espécie de narrativa, dividida em algumas fases, iniciadas em faixas como Where I’m At, Where I’m From e finalizada em Where I’m Going. Em meio a essas passagens, Mark despeja versos pesarosos e cheios de dor como “Agatha, she wasn’t mean / She didn’t cheat, she never lied / Even if she disagreed with you […]But I should’ve stayed with Agatha Chang” (Agatha Chang), “She’s got a real big heart / And I gotta win it back […]Every day I live in regret and pain / You just don’t let that get away” (Kindred Spirit) e “Thought we were the lonely type / On an island of the lost / But it was only me / Because you got lost” (Dead Reckoning).

Porém, mostra também um lado esperançoso, como se acreditasse que há uma luz no fim túnel. As duas faixas que encerram os disco são deixadas com essa tarefa, mostrando versos como “The choice is mine for making a better road ahead / The road that I’ve been taking / Heading for a dead end / But it’s not too late to turn around” (Mistakes of My Youth) e “Can’t say I know what will happen tomorrow / I can’t say I know if it’s joy or sorrow / I can’t say how long I’ll stand at the line that I’m towing / But I’ve got a good feeling ‘bout where I’m going” (Where I’m Going).

A instrumentação acompanha muito bem o clima do álbum, brincando em grande parte do tempo com timbres mais acústicos, às vezes conduzindo faixas somente com ou violão e às vezes trazendo um conjunto de cordas. Esse tom mais intimista que a obra assume fica claro logo com a abertura, Where I’m At e estendido a faixas como Parallels, Agatha Chang e Mistakes of My Youth. Com belas, fáceis e gostosas melodias embalando as letras de Mark, é quase impossível não simpatizar com as histórias, muitas vezes de um amor que ele não deveria ter deixado ir embora, contadas pelo músico.

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BOM PARA QUEM OUVE: Elbow, Beck, Wilco
ARTISTA: Eels
MARCADORES: Folk, Indie Fok, Indie Rock

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts