Resenhas

Eels – Wonderful, Glorious

Com a grandiosidade em primeiro plano, Mark Everett comprova seu talento e genialidade no décimo disco de sua banda

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Ano: 2013
Selo: E Works/Vagrant
# Faixas: 13
Estilos: Rock Alternativo, Indie Rock
Duração: 50'
Nota: 4.0
Produção: E

Mark Oliver Everett, mais conhecido como E, é a força e epicentro criativo da banda Eels, que lança agora, com a maturidade de 18 anos de carreira, seu décimo álbum, Wonderful, Glorious, comprovando que o músico sabe aproveitar seu potencial inventivo a favor de músicas boas fora de algum nível de experimentalismo esperado dos que habitam um certo Olimpo dos artistas tidos como “geniais” – ou bons o suficiente para carregar um projeto desses sob seus ombros.

Parece que é esperado de músicos desse naipe que eles nos entreguem suas inovações e criações em formatos de difícil degustação, como se eles precisassem atestar seu nível muito acima da média ao fazer músicas que a tal média não conseguiria apreciar. Bobagem. Bom mesmo é aquele que sabe fazer música boa para quantos quiserem ouvir.

Pisando no território do Indie Rock de hoje em dia, E sabe como agradar. Peach Blossom é o hit que dúzias de bandas tentam sem sucesso fazer diariamente. Kinda Fuzz e New Alphabet também tem seu fator de chamar a atenção e fazer o ouvinte se pegar meio dançando sem intenção. Não é à toa que a primeira aparece logo após a abertura com Bombs Away, percussiva e cheia de “pedaços em branco”. É essa a dinâmica que se estabelece a partir daí, com as faixas que mais se aproximam de formatos conhecidos completando as menos comuns – e o mesmo vale para músicas mais lentas e outras mais empolgantes.

Sendo assim, a tensão de The Turnaround vem logo depois da fofura de On the Ropes, que divide espaço com a balada quase minimalista Accident Prone e o Rock quase clássico de You’re My Present. Todas elas formam uma obra grandiosa, ao mesmo que tempo que pareça faltar alguma coisa na maior parte das faixas, o que é dissipado assim que elas estão todas juntas.

Lembra um pouco trabalhos como o Odelay de Beck, ou mesmo algumas coisas de Paul Weller, tudo com uma certa grandiosidade digna do título que o álbum recebeu. Quando chega a faixa-título, no entanto, o que temos é uma música de levada tranquila e uma agradabilidade ainda mais alta que as dos outros hits em potencial do disco, sendo um ótimo encerramento para Wonderful Glorious.

Mark Everett e seu Eels merecem elogios de um público maior do que aquele que vai acabar parando para ouvir o álbum, mas é o preço que se paga quando se investe o talento em um som que pode assustar quem só estiver disposto a uma primeira audição.

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BOM PARA QUEM OUVE: Jack White, Paul Weller, Beck
ARTISTA: Eels

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.