Resenhas

Efterklang – Piramida

Grupo dinamarquês tenta criar uma obra bastante minimalista e densa, e deve agradar os fãs de música escandinava

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Ano: 2012
Selo: 4AD
# Faixas: 10
Estilos: Indie Rock, Post-Rock, Indie Pop
Duração: 46:00
Nota: 3.0
Produção: Rumraket

Um dos primeiros versos que permanecem no subconsciente quando se escuta pela primeira vez Piramida de Efterklang é “And I wonder, I wonder, I wonder what I am? It’s destructible”. Tentar explicar o que o quarto disco da banda procura ser é uma tarefa um tanto obsessiva e destrutiva.

O grupo vem de uma região bastante criativa artisticamente, a Escandinávia. Com um estilo que mistura Indie Rock, Post-Rock, Indie Pop e elementos eletrônicos, a banda tem nesses rótulos musicais uma simples referência do que são. Uma forma de compreensão aos outros, mas que na verdade, assim como seus correspondentes geográficos citados, não diz absolutamente nada sobre o som criado, sendo portanto algo singular e característico.

O som do grupo mudou bastante ao longo do tempo, passando de um quarteto com diversos músicos convidados para acompanhá-los na turnê, para um trio sem um baterista fixo. Em Piramida, o tom do disco oscila entre momentos minimalistas e outros mais expansivos. Ambos sonhadores, mas que dificilmente ousam se tocar, deixando as músicas com um volume quase constante. A sensação que disco passa ao fim acaba sendo dúbia, mas interessante.

A mesma linha de produção dos discos anteriores, com diversos músicos diferentes participando, continua neste trabalho e podemos notá-los ao longo de suas faixas. Hollow Mountain tem um violino que funciona quase como um refrão e que contrapõe o pedido de ajuda do vocalista Casper Clausen, quando este instrumento surge logo após o verso “Help me, I am falling down”.

Sedna é o instante minimalista mais bonito do disco. É uma faixa cadenciada com uma bateria e um baixo que não querem aparecer muito, mas somente serem um bom acompanhamento à voz de Casper. O riff de guitarra é simples mas aparece no momento certo para, assim como uma linha de costura, unir os pedaços separados.

Até a quinta música, The Living Prayer, somos conduzidos para lugares calmos e distantes, os quais conseguem ser alcançados muito pelo vocalista que quase conversa com ouvinte com seu tom de voz constante. Na segunda metade do disco, começamos a escutar uma bateria sendo batida mais fortemente, aumentando o som do disco como um todo.

Black Summer talvez seja o melhor exemplo disso. Com instrumentos de sopro sendo aumentados aos poucos na introdução, junto a uma bateria mais notável, baixa o tom logo em seguida, voltando ao ritmo da primeira parte do disco. Entretanto, diferentemente das outras faixas, esta consegue expandir os horizontes minimalistas quando, antes de cada refrão, eleva o volume dos instrumentos como um todo, trazendo a explosão que parece faltar em outras canções. O coral ao final da faixa traz cor e brilho, levando o ouvinte mais perto do que se escuta.

Sintetizadores aliados a cordas, dão um tom eletrônico a Between The Walls que antes do disco acabar, traz mais um momento marcante dentro do disco. Alternando os timbres de voz, Casper Clausen, consegue trazer a oscilação necessária para transparecer mais sentimentos quando este canta.

Ao final da obra temos a sensação de algo bonito foi feito, mas que carece em alguns momentos de uma definição do que esta quer ser. O desejo de Casper definir quem ele é neste processo destrutivo, acaba refletindo na divergência que permeia a primeira metade da segunda do disco. No entanto, isso não ocasiona um disco ruim, pelo contrário. Em sua maioria do tempo, densa e profunda em poucos momentos, talvez não seja uma obra pra ser revista sempre, mas que, certamente, irá deixar suas marcas positivas na primeira audição.

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BOM PARA QUEM OUVE: Sigur Rós, Grizzly Bear, Björk
ARTISTA: Efterklang

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.