Resenhas

El Perro del Mar – Pale Fire

Entre o obscuro e o mantra Pop, Sarah Assbring dá continuidade ao bom disco de 2009 com qualidade, mas seu segmento não impressiona

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Ano: 2012
Selo: Memphis Industries
# Faixas: 10
Estilos: Indie Pop, Synthpop, Electro Pop
Duração: 42:07
Nota: 3.0
Produção: Sarah Assbring

O tempo parece não ter passado para Sarah Assbring desde 2009, quando profetizou que o amor não é instrumento, no lançamento de seu quarto disco Love Is Not Pop. Os três anos de pausa musical no quesito produção parecem não ter sido regados de tantas novidades ou novas influências para a cantora, já que seu mais novo lançamento, intitulado como Pale Fire, mostra facilmente um segmento sem muitas aventuras em vista do que já veio a ser apresentado há alguns anos.

O fato de não replicar nada de tão novo ou surpreendente não significa que o álbum seja um material criado com pouco esmero ou não traga uma sonoridade agradável, principalmente para os que acabam de conhecer o som de Assbring. A cantora bebe da mesma fonte que artistas conterrâneas como Taken By Trees e Lykke Li, além de nomes como Ellie Goulding e MØ.

No entanto, entre os quatro nomes citados, Sarah ocupa exatamente o eixo central dessa vertente Pop: Dosadamente, a musicista se aproveita de momentos mais doces e de refrões grudentos como um mantra, mas passa longe da pasteurização plenamente comercial e altamente pré-fabricada por grandes selos, misturando traços mais obscuros com timbres e camadas dançantes numa quantia quase exata, mas que em dado momento torna-se maçante. Traços interessantes circundam as melodias criadas pela escandinava como momentos de romance com o Trip Hop, além de algumas lembranças de instrumentos de sopro unidas a uma sonoridade de ritmos melancólicos encontrados mais facilmente em dados momentos dos anos 80.

De maneira astuta, Assbring mostra boas canções, como Hold Off The Dawn, Walk on By e Pale Fire em hits fáceis pelos versos em looping e pelo segmento astuto de teclas acompanhado de boas batidas eletrônicas. No entanto, o trabalho se assemelha a uma versão diminuta e com menos personalidade que o ótimo Wounded Rhymes emplacado por Lykke em 2011. A sonoridade que brinca com seriedade e delicadeza entretém facilmente, mas a chama musical de Sarah não se sustenta a longo prazo, remetendo o próprio nome da compilação que fecha o ciclo: O fogo pálido traz mistério e seduz em seus primeiros momentos, porém o combustível por aqui tem vida útil curta.

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Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.