Resenhas

Elbow – The Take Off and Landing of Everything

Banda inglesa se mostra menos tímida e comedida em seu sexto álbum e tem vocais como o principal instrumento da obra

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Ano: 2014
Selo: Fiction Records
# Faixas: 10
Estilos: Rock Alternativo, Britpop
Duração: 56:51
Nota: 3.5
Produção: Craig Potter
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Ftake-off-landing-everything%2Fid794947888%3Fuo%3D4%26partnerId%3D2003

Assim como vimos em nossa Redescoberta, Elbow é uma banda expansiva e grandiosa, principalmente nas durações extensas de suas obras, e que foge do modelo radiofônico e Pop em estrutura. Seu som é eloquente e exige dedicação e um tempo reservado de seus ouvidos. Desse modo, uma audição despretensiosa vai fazer muitos pegarem antipatia pela banda de Guy Garvey e cia, que vai parecer durar uma eternidade. De outro modo, com uma audição atenta, a obra se mostrará bela e tocante, por isso, deve ser ouvida em condições apropriadas.

Entretanto, apesar de manter tais características citadas, The Take Off And Landing Of Everything se mostra um dos discos de mais fácil digestão do grupo britânico, principalmente por conter vocais mais “extrovertidos”, menos fechados e acaba se tornando o principal instrumento musical do álbum.

The Take Off And Landing Of Everything ainda é um disco tipicamente Elbow, ou seja, bonito e delicado, mas se mostra menos contido e hermético do que trabalhos anteriores – como o disco de estreia Asleep in the Back – tendo aqui vocais mais expostos e enaltecidos. De todo modo, é uma obra que parece soar ideal para se colocar para ouvir ao acordar cedo num sábado sem compromissos, um sábado que tiramos para pensar em nós mesmos e nas coisas que rondam nossa mente.

Apesar dos prêmios que a banda já ganhou, Elbow não é uma banda “Pop”, pois acaba sendo complexa em sua composição, mesmo com os minimalismos de percussão – simples e praticamente repetidos à exaustão durante todo a canção – e o uso de guitarras distorcidas, como em Fly Boy/Lunette e ainda aparece grandioso, tanto em duração das faixas – quase todas acima dos cinco minutos – e com a presença de cordas como em Charge e metais em My Sad Captains. Até mesmo as mais contidas, como Real Life (Angel), acabam sendo menos tímidas do que as composições que observávamos nas obras anteriores, tendo vocais abertos e que preenchem todo o espaço da canção. Assim sendo, sua sucessora, Honey Sun – a faixa mais encorpada- e Clour Fields – mais minimalista – acabam sendo as únicas com maiores características de álbuns passados do grupo.

Apesar dessa sutil mudança, o sexto álbum da banda ainda continua tendo seus “requisitos” ao se ouvi-lo. Como os demais, é um disco para se dedicar a audição. Devido à sua grandiosidade acaba sendo uma obra que não se encaixa em uma audição em “drops”, em pedaços, ouvindo no meio do caminho entre sua casa e seu trabalho ou à caminho de algum outro lugar. Elbow continua sendo uma banda com sonoridade complicada e que pode não agradar a muitos, e também continua sempre, uma banda com composições que se dada a atenção se mostram bonitas, mas que pede uma atenção do ouvinte para que lhe faça o efeito.

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BOM PARA QUEM OUVE: James, Eels, The Charlatans
ARTISTA: Elbow

Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).