Resenhas

eliminadorzinho – Aniquiladorzinho

Novo EP do trio paulista explora o passado de forma adolescente e nostálgica

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Ano: 2017
Selo: Independente
# Faixas: 4
Estilos: Emo, Shoegaze, Noise
Duração: 17:58
Nota: 3.5
Produção: Rubens Adati e eliminadorzinho

Se Nada Mais Restará, primeiro EP da banda paulista eliminadorzinho, nos avisava que esta sonoridade varreria tudo de nossa mente, o que esperar do novo lançamento, Aniquiladorzinho?

Mergulhado em referências Shoegaze, Noise e Emo, o trio parece ter uma espécie de relação especial com os fantasmas do passado. Em seu registro de estreia, os músicos abusavam dos reverbs e de sonoridades nostálgicas para promover um diálogo inocente e duro com eventos passados. Era como se a banda ficasse maravilhada diante da possibilidade de reler sua vida e aprender com seus erros, montando ao redor do disco uma personalidade bastante juvenil e esperançosa.

Entretanto, neste novo EP, aquela ingenuidade e certeza parece se cessar diante de novos episódios e uma nova mentalidade, uma que não lida de forma tão compreensível e calma. Aniquiladorzinho marca uma espécie de crescimento do disco anterior, mas não no sentido de que este EP é melhor do que seu antecessor. Isso apenas significa que estamos lidando com fases e propósitos diferentes e, particularmente nesta, os erros são imperdoáveis e os vacilos são desastres monumentais que levam à raiva.

A personalidade Emo do grupo dá espaço a referências claras como Sonic Youth e o Noise Rock dos anos 90. A suavidade e melodiosidade que outrora é própria da banda é substituída por caos e agressividade, como na primeira faixa Você Acha, um ataque direto e, praticamente, um hino adolescente que canta em alto e rígido tom: “Você acha que eu não sei de nada, que eu não sei de nada”. Por meio de um fuzz tenebroso e comentários de guitarra antipáticos, Borrão traz uma arrastada interpretação do misto de sentimentos com o qual lidamos todos os dias e tentamos nomeá-lo. Desculpa, No. 2 retoma o sentimento conhecido do primeiro EP, mas o faz de uma maneira mais epifânica que, embora seja positiva em algum sentido, não se torna menos desgastante para nosso corpo gritar essas desculpas. Por fim, Fora de Ar faz jus ao título que a banda dá ao registro, à medida que seus sete minutos tentam, de alguma forma, ilustrar a montanha-russa que a análise de um evento pode causar em nossa mente: aniquilando toda forma de razão.

O grupo faz algo bastante interessante em seu segundo EP. Ao criar esta relação de crescimento entre os dois, eliminadorzinho acaba tornando sua obra complexa, ao mesmo tempo que plenamente identificável. A banda parece ter um interesse grande pela juventude e, mesmo os integrantes sendo relativamente jovens, é interessante como a analisam de forma madura e precisa. É bom ficar de olho na banda, pois outros EPs podem nos surpreender da mesma forma que este.

(Aniquiladorzinho em uma faixa: Fora de Ar)

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BOM PARA QUEM OUVE: Gish, Fernando Motta, Sonic Youth
MARCADORES: Emo, Noise, Shoegaze

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.