Resenhas

Ellie Goulding – Delirium

Tentativa assumida de fazer “um grande disco Pop” esconde boas características da cantora

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Ano: 2015
Selo: Polydor
# Faixas: 16
Estilos: Pop Eletrônico, Eletrônica, Pop
Duração: 56:31
Nota: 2.5
Produção: Greg Kurstin, Ilya Salmanzadeh, Max Martin e Ali Payami

Ellie Goulding começou sua carreira como uma bela alternativa à produção insossa que o mainstream fabrica em massa com um som Pop caprichado, sempre embebido em tendências da música Eletrônica também de cunho mais popular. Além de suas explosivas apresentações ao vivo, esse fator “marginal” sempre foi o que deu mais identidade à sua música, fazendo com que a britânica fosse vista como um alívio em meio à massa.

Delirium é alegadamente sua tentativa de fazer “um grande álbum Pop”. Do lado de cá dos fones de ouvido, porém, fica a sensação de uma coleção de faixas com personalidade diluída, apesar do vocal tão característico da cantora. As músicas tem aquele quê de “você já ouviu isso antes”, quando não passam a impressão de uma tentativa exaustiva de tentar agradar um público maior – algo que ela parecia já estar a caminho de fazer.

Suas colaborações com Calvin Harris e Major Lazer, por exemplo, inseriram seu nome e voz em faixas que foram (e são) propagadas em diversos cantos do mundo, assim como sua participação na trilha do filme Cinquenta Tons de Cinza também deu conta de uma grande exposição (Love Me Like You Do, inclusive, está em Delirium). Era a hora de mostrar suas melhores características, mas ela optou por ser o mais parecida possível com qualquer outra da categoria.

Há seus bons momentos mesmo assim, como a sequência Don’t Need Nobody e Don’t Panic, ou Something in the Way You Move e a derradeira Scream It Out. Singles como Army ou mesmo a música do filme acabam dando o tom de uma obra um tanto sem graça que parece não terminar nunca (é quase uma hora de músicas um tanto parecidas, com uma versão Deluxe com vinte minutos a mais).

É uma pena que músicas como Keep on Dancing e Aftertaste passem desapercebidas no repeat entediado. As boas notícias são duas: Novos fãs poderão conhecer trabalhos mais interessantes que a moça fez no passado e o público de sempre terá mais chances de ver Ellie Goulding ao vivo e na mídia, embora venha agora em um formato que poderá fazê-la ser facilmente esquecia: O da generalização Pop.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.