Resenhas

EMA – The Future’s Void

Tecnologia dá embasamento para disco que começa bem, mas termina cansativo

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Ano: 2014
Selo: Matador
# Faixas: 10
Estilos: Rock Alternativo, Indie Eletrônico, New Wave
Duração: 43:31
Nota: 3.0
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fthe-futures-void%2Fid797147024%3Fuo%3D4%26partnerId%3D2003

A desmistificação da música Pop dentro da cena alternativa já é uma realidade, visto que muitos artistas tem se mostrado abertos a expandir seu repertório com pitadas de gêneros mais abrangentes a fim de conquistar um novo público. Ainda assim, no caminho inverso, artistas como EMA afastam-se dessa vertente cada vez mais e buscam um caminho mais maduro e denso, como a cantora fez em seu recém-lançado álbum A Future’s Void.

O trabalho de Erika M. Anderson aborda muito as relações sociais de hoje em dia e como tudo é altamente influenciado pela tecnologia e majoritariamente, a Internet. A frustração, a sensação de sentir-se obsoleta e os sentimentos misturados a respeito de toda essa gama percorrem pelas letras de todas as canções da estadunidense. A sonoridade também aproxima-se da temática, visto que a música Eletrônica agora é levada numa tônica mais compromissada, sisuda e forte – no entanto, resulta em muitos momentos de pouca diversão.

Os pontos altos se concentram logo no início do disco, que traz uma pegada mais rocker e que pode até matar uma certa saudade de fãs do antigo Yeah Yeah Yeahs e também de Metric, com as faixas Satellite, So Blonde e 3Jane. Os gritinhos à la Karen O. passam por ali, assim como a ambientação New Wave bem desenvolvida. A partir daí, o registro parte ladeira a baixo, por assim dizer, tanto na inovação quanto na animação. Um misto de sonoridades à la Chelsea Wolfe com Dum Dum Girls permeia todas as canções daí em diante. Como exemplo, 100 Years, Solace e a derradeira Dead Celebrity soam como baladas Post-Rock um tanto repetitivas e não tão interessantes. A repetitividade dos refrões causam um certo aborrecimento ao invés de despertar a reflexão e o álbum de apenas dez faixas parece mais longo do que realmente é.

Com pouco mais de 40 minutos de trabalho, Erika desafia a si mesma e mostra uma faceta mais específica e íntima para o público – coisas que só a maturidade te proporciona ao decorrer da carreira. No entanto, se o disco trouxesse mais canções com a intensidade das de abertura, EMA teria mais chances de hangariar pra perto de si os públicos carentes de boas novidades de Karen O. e do projeto de Emily Haines, que há tempos não dá sinais de vida.

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ARTISTA: EMA

Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.