Resenhas

Emiliana Torrini – Tookah

Quarto disco da cantora explora um aspecto de pladidez e bucolismo, em um obra ambientada por violões e voz.

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Ano: 2013
Selo: Rough Trade
# Faixas: 9
Estilos: Indie Folk
Duração: 39:19
Nota: 3.5
Produção: Dan Carey

Apesar do nome, Emiliana Torrini nasceu em Reikjavik e cresceu na simpática cidade de Kopavogur, na Islândia. Aos sete anos já participava de um coral e ingressou a escola de ópera aos 15. Enquanto dava esses primeiros passos, a moça ia trabalhando no restaurante italiano do pai, ela iniciou sua carreira como cantora. Aos 17 anos, em 1994, ela venceria um concurso de jovens talentos em seu país natal e decidiu levar aquilo mais a sério. Fez parte do grupo GusGus e cantou em várias canções do melhor disco já lançado pela banda, Polydistorion, de 1997. Sua participação na etérea balada Why é um dos pontos altos do disco.

Nas idas e vindas das temporadas de shows do GusGus, Emiliana acabou por mudar-se para Londres. Lá conheceu muita gente, principalmente Roland Orzabal, 50% do Tears For Fears, que topou co-escrever e produzir seu primeiro disco, Love In The Time Of Science, lançado em 1999. Com registro vocal oscilando entre Bjork, Kate Bush e Beth Orton, Emiliana conseguiu dois sucessos menores, Unemployed In Summertime e a belíssima Summerbreeze. Ao mesmo tempo em que seguia com sua carreira solo, Emiliana e seu parceiro Dan Carey escreveram e produziram Slow, que foi incluída no repertório de Kylie Minogue. Em 2002 ela foi escolhida pelo diretor Peter Jackson para cantar em Gollum’s Song, a música de encerramento de Senhor Dos Anéis: As Duas Torres.

Emiliana Torrini não tem pressa em lançar discos. Tookah é seu quarto trabalho em 14 anos de carreira. Se a estreia foi caracterizada por canções soturnas e levemente eletrônicas, pendendo até para o trip-hop, os álbuns subsequentes, Fisherman’s Woman (2005) e Me And Armini (2008), eram obras que flertavam mais com o Folk. Neste caminho está este novo disco. O conceito aqui, segundo a própria Emiliana, é explorar mais o aspecto visual da música, mas, ainda que isso possa significar algo novo, o disco envereda novamente pelos caminhos do folk, trazendo placidez e bucolismo a canções como Elisabet, Atumumn Sun e a assombrosamente bela Blood Red, sempre mostrando que não há monotonia ou tédio em obras que pendam para o violão, voz e ambiências.

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MARCADORES: Indie Folk

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.