Resenhas

Érica – Beautiful

Alta qualidade de produção constrói bom disco de estreia, mas não seduz os ouvintes

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Ano: 2017
Selo: Baphyphyna
# Faixas: 8
Estilos: Indie Pop, Synthpop, Dream Pop
Duração: 42'
Nota: 3.0
Produção: Érica Alves e Pedro Zopelar

Belos vocais femininos em cima de uma cama de sintetizadores é uma fórmula – ou melhor, um formato – que não deixa de soar bem. E enquanto Érica Alves, ou apenas Érica, soube aproveitar tanto seu talento como vocalista, quanto o seu bom gosto para produção (que ela divide aqui com Pedro Zopelar). Entretanto, o que fica da audição de seu primeiro álbum, Beautiful, é a impressão de um exercício de estilo – uma tentativa bem sucedida de trabalhar uma estética – que, mesmo bem executado, não consegue revelar seu carisma como obra, aquela qualidade que faz o ouvinte escolher este disco ao invés de outro que recebe a mesma catalogação.

A ambientação etérea, com synths alongados e poucos elementos que ocupam todo o espaço sonoro, dita o clima do disco, que trabalha sua sonoridade sem pressa e aposta em uma atitude contemplativa do ouvinte, ao contrário de outros trabalhos que recebem as tags Synthpop e Indie Pop, com direito a faixas mais experimentais, como Baphyphonça e Manifesto (ambas com mais de oito minutos de duração). São escolhas que, se por um lado reforçam o talento da artista, por outro reduzem as chances de audições espontâneas da obra – é necessário estar com tempo e com uma pré-disposição muito específica e intencional para desfrutar dessas músicas como um disco.

Better for Us All, This City e Big Brother – faixas com uma ou outra diferença das demais e um apelo Pop no melhor dos sentidos – ajudam a romper um pouco do ritmo da narrativa e mostram-se acertos em meio a um repertório que, sem elas, chegaria a ser maçante. Com isso, Beautiful sustenta sua qualidade para qualquer ouvido que saiba identificar o que faz um trabalho como esse ser bom. Para fins de entretenimento, contudo, os outros discos que se encontrariam em uma mesma estante metafórica que sabem seduzir melhor seus ouvintes ao invés de inibi-los a desfrutar de sua música.

(Beautiful em uma música: What Is Ours?)

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BOM PARA QUEM OUVE: Barbara Ohana, BANKS, Lana Del Rey

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.