Resenhas

Eugene Quell – Eugene Otto Quell

Novo projeto de Tobias Hayes brinca com o Indie Rock e Rock Alternativo

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Ano: 2014
Selo: Sonic Anhedonic Recording Company
# Faixas: 4
Estilos: Indie Rock, Rock Alternativo
Duração: 11:46
Nota: 3.0

Eugene Quell é o novo projeto do londrino Tobias Hayes, nome por trás de bandas como Meet Me In St. Louis (que fazia uma mistura incrível entre Post-Hardcore, Rock Progressivo, Indie Rock e Math Rock), seu outro projeto solo, Shoes and Socks Off (com um som que o mesmo chama de Anti-Folk, porém algo que pode lembrar muito Dallas Green e seu City and Colour) e por uma série de outros projetos com menor expressividade. Por mais que pouco (ou nada) conhecido por aqui, o músico acumula alguns fãs em sua terra natal (principalmente no circuito underground).

Dono de uma sonoridade mutante, Tobias assume em Eugene Otto Quell uma busca por sonoridades mais próximas do Indie Rock e Rock Alternativo, de certa forma, o mais próximo do Pop que o músico chegou em toda sua carreira. Com guitarras cheias de fuzz e uma gravação despretensiosamente (e pelo que parece, propositalmente) Lo-Fi, o músico ainda brinca com gêneros como Noise Pop e chega em certos momentos a se conectar até mesmo com a cena Garage Rock californiana (principalmente de nomes como Ty Segall e Mikal Cronin). Uma mistura que transpira nostalgia, porém sem se basear completamente nela.

Com apenas quatro faixas, o EP se esvai rapidamente em um fugaz misto roqueiro preenchido por uma poeira sonora e muita sensibilidade Pop. Sem se ater a uma estética muito especifica, cada uma das músicas tem uma cara diferente, sendo amarrada apenas pela roupagem Lo-Fi. Sua lírica brinca entre a insatisfação e o amor, temas também recorrentes em alguns de seus projetos anteriores.

Weird Purr traz uma boa dinâmica em uma balada, que pode lembrar um pouco as de Pixies ou até mesmo as de Incubus. O ponto alto desta canção é a brincadeira dos dois timbres de guitarra (um quase “acústico” e outro com a habitual distorção), que se entrelaçam muito bem durante o decorrer da canção. A sessão rítmica cheia de quebras também dá um charme especial ao principal single do EP.

Mais vez criando uma espécie de baladinha acelerada, em Ear, Nose and Mouth o músico parece se inspirar em sonoridades hibridas entre o mais novo disco de Mikal Cronin e as antigas baladas de Lou Barlow, em seu Sebadoh. Make A House A Home fecha o EP com uma singela canção de amor feita de forma acústica e que pode lembrar em alguns momentos faixas do músico em seu Shoes and Socks Off.

Chegando ao fim da obra, percebesse que Hayes sabe transitar bem entre um estilo e outro, porém a falta de alguma amarra (que não o típico som Lo-Fi), faz do EP somente uma coleção de canções sem muita expressividade, por mais que algumas delas sejam boas.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts