Resenhas

Everything Everything – Arc

Segundo disco do quarteto de Manchester mostra seu amadurecimento e a busca por fazer um Pop de forma inteligente

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Ano: 2013
Selo: Sony RCA
# Faixas: 13
Estilos: Art Rock, Indie Rock,
Duração: 48'
Nota: 4.0
Produção: David Kosten

Os três anos que separam Man Alive de Arc parecem ter sido um período de amadurecimento para o quarteto inglês Everything Everything, que volta em seu segundo álbum com um som ainda mais ambicioso e singular do que foi apresentado em sua estreia. Com uma sonoridade expansiva, o grupo apresenta um disco multifacetado e diverso, mas ainda assim altamente acessível.

Jonathan Higgs e seus companheiros parecem agora ter confiança suficiente em seu trabalho a ponto de estampar seus rostos na capa e se exporem ainda mais em letras que mostram visões bem particulares sobre assuntos cotidianos. Mas aqui eles mostram também que ainda sabem fazer canções sonoramente leves e divertidas, que animam qualquer festa, e apostam nelas como principal arma na divulgação desta obra – Cough Cough e Kemosabe exemplificam isso e, não por acaso, abrem o álbum.

Estas duas faixas, segundo os próprios músicos, servem como ponte entre Man Alive e Arc e criam certa sensação de continuidade entre as duas obras, mesmo que apresentem uma série de novos elementos. Cough Cough é um turbilhão de momentos enérgicos e se apresenta como a grande canção Pop do disco, enquanto Kemosabe, ainda que mantenha a grande energia, desacelera para Higgs cantar sobre dificuldades dos relacionamentos citando a série dos anos 30 The Lone Ranger.

Talvez o maior “problema” do disco é o mesmo aspecto que lhe dá tanta personalidade. Isso se explica pelo fato da banda não ter problemas em pegar elementos daqui e dali para fazer sua grande salada musical, tanto que são percebidas influências diretas do Math Pop, Baroque Pop, R&B, Indie Rock, Rock Progressivo britânico e mais tantas outras que aqui criam uma relação de simbiose e um resultado surpreendentemente Pop. Assim como os elementos, o clima do disco flutua bastante em seu decorrer, passando da faixa mais animada e feita sob medida às pistas, até à baladinha mais pessimista regada a muita melancolia.

Além de amalgamar ritmos e gêneros diversos, a ambição do grupo se mostra em faixas como Duet, na qual o quarteto consegue unir um belo conjunto de cordas ao Indie Pop inglês, Undrowned e toda sua teatralidade nos vocais de Higgs, o etéreo interlúdio Arc ou ainda a minimalista The House Is Dust. A parte lírica também é tomada por esta nova aspiração da banda, sendo mais objetiva e tendendo a abordar assuntos de maneira mais direta. É claro que há exceções e algumas das letras tomam forma de alegorias, caso de Choice Mountain e Feet For Hands.

Sem dúvida alguma, este é um disco que pode ser categorizado como exótico, mas não seria um erro dizer que ele é também incrivelmente fascinante. Sobretudo, Arc é um belo exemplo de como a música Pop consegue se moldar e se reinventar de forma inteligente, usando elementos que, à primeira vista, nada tem a ver uns com os outros. E é claro, um segundo passo muito bem dado do quarteto de Manchester.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts