Resenhas

Everything Everything – Get To Heaven

Novo disco da banda britânica é uma coletânea de referências Pop e Eletrônicas

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Ano: 2015
Selo: RCA/Sony Music
# Faixas: 17
Estilos: Indie Rock, Pop Rock, Electro Rock
Duração: 46:05
Nota: 3.0
Produção: Stuart Price

É difícil se viciar em uma banda. Depois de escutar quase toda a sua obra, ficamos sedentos por ouvir mais de suas sonoridades e/ou procurar outras que satisfaçam essa necessidade igualmente. Essas situações trazem, normalmente, um inquietação grande, afinal os grupos, por mais parecidos que sejam, tem diferenças que nunca serão capaz de suprir estas saudades. Entretanto, o que acontece quando um deles parece reunir características de vários outros? Teríamos um representante coringa na arte de servir como uma nova opção ou um Frankstein de bandas que, no fim das contas, são apenas partes coladas fingindo ser um todo? Esta é a grande questão que permeia o novo lançamento da inglesa Everything Everything.

Ao mesmo tempo em que é divertido, é frustrante. Get To Heaven mostra dezessete novos exemplos dos caminhos novos, flertando com elementos do Indie Pop, toques de Rock e pinceladas de Eletrônica. As músicas são bastante empolgantes, trazendo humores diferente e pedindo que o ouvinte interaja, sendo com alguma dança ou um simples balançar de cabeça. Não só a composição, mas a produção merece um destaque, conseguindo agrupar instrumentos de diferentes naturezas e mediando misturas que, inevitavelmente, despertam nossa curiosidade. Destaques para as faixas Blast Door e seus toques de Trap Music, Hapsburg Lippp com divertidos sintetizadores e, por fim, The Wheel (Is Turning Now). Contudo, as coisas não são tão bonitas e perfeitas.

Como dito antes, esse disco lembra muitas bandas. Com toques (bem forçados) de Two Door Cinema Club e Imagine Dragons, Everything Everything acaba perdendo a força de sua identidade. Somos meio que induzidos a procurar nomes de outros conjuntos com as quais as músicas de Get To Heaven parecem do que de fato aproveitá-las. De certa forma, é um disco composto dos melhores momentos de outras bandas, enfraquecendo a criação de um interesse único para com Everything Everything. É como falamos: é um disco divertido, mas não é único ou relevante em muitos sentidos, principalmente no que se diz respeito à identidade. Afinal, vale a pena ouvir uma banda parecida com outras apenas por ser uma alternativa para um som já conhecido?

No fim das contas, Get To Free é um disco que vai agradar, porém por um tempo curto. Produzindo algo bastante efêmero, Everything Everything caminha tentando achar sua identidade em meio ao Pop e Eletrônica. Um novo registro pode nos afirmar com mais certeza se isto é um episódio isolado ou uma tendência entediante. Rezemos pela primeira, pois há potencial, mas também há preguiça.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.