Far From Alaska – Stereochrome

EP se mostra como uma colcha de retalhos de diversas referências ao Rock Alternativo dos anos 90 e 2000

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Ano: 2012
Selo: Dante
# Faixas: 4
Estilos: Rock Alternativo,
Duração: 19:30
Nota: 4.0
Produção: Pink Misty

Boas ideias nem sempre residem em se criar algo a partir do zero. Com certa frequência, elas surgem a partir de outras ou de uma junção delas – e é isso que Far From Alaska faz em seu primeiro EP.

Stereochrome é um apanhado de referências ao Rock Alternativo dos anos 90 e 2000, feito a partir de guitarras agressivas, sintetizadores e uma voz muito potente, que mesmo que não seja um elemento que se sobressaia ao outros no aspecto de produção, é o que mais chama a atenção ao se ouvir às canções do quinteto.

As quatro músicas que formam o trabalho tem apelo estético muito interessante, conseguindo transitar entre diversos públicos – desde quem curte Indie Rock até quem gosta de um som mais pesado que dominou o meio alternativo durante o começo dos anos 90, e isso é um fato raro hoje em dia, ainda mais quando se nota a grande fragmentação entre estilos e o público de cada um deles.

Thievery abre o EP ao som de texturas fantasmagóricas e sintetizadores etéros, que logo recebem o acompanhamento da bateria e dos outros instrumentos que criam o espaço para a voz de Emmily Barreto entrar e roubar a cena – seu vocal também será o ponto alto em grande parte das demais canções. Mama tem uma postura mais agressiva, incorporando também a musicalidade do Stoner Rock. Ela é costurada por uma constante inserção de um sintetizador com um timbre bem cru, quase infantil, mas que, ao se juntar aos outros instrumentos entregando sua maior potência, cria um ótimo contraste.

Uma das músicas mais interessantes deste trabalho é New Heal que parece ser uma união entre diversos fragmentos. Um começo pungente e roqueiro logo dá lugar uma pequena jam no meio da canção, que volta ao seu rumo mais potente antes da faixa chegar ao seu fim. Monochrome também conta com diversas partes que se intercalam criando momentos mais calmos e outros mais explosivos dentro de uma música com mais de sete minutos. Ela mostra também o que a banda consegue fazer com bom set de pedais, criando efeitos e tirando sonoridades bem diferentes da guitarra de Rafael Brasil.

Sonoramente, o EP cria um amálgama a partir dessas diversas sonoridades e obtém um resultado nada datado ou batido. O quinteto mostra em suas composições um cuidado especial em amarrar muito bem suas influências e criar a partir dessa mistura sua própria identidade.

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Autor:

Desde criançaa apaixonado por música, consumidor compulsivo de hamburguer e chato