Resenhas

Flume – Flume

Sem a preocupação de soar original, produtor australiano faz de sua estreia um apanhado da EDM dos últimos anos (o que é muito bom)

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Ano: 2013
Selo: Transgressive Records
# Faixas: 15
Estilos: Eletrônico, EDM,
Duração: 50:01
Nota: 3.5
Produção: Flume

A estreia homônima do produtor Flume foi lançada na verdade em novembro de 2012 em sua terra-natal e desde então vem conquistando não só as rádios australianas, mas também várias outras estações ao redor do globo. O relançamento mundial da obra, pela Transgressive Records, vem exatamente para reforçar o sucesso prematuro do produtor de apenas 21 anos.

Composto por 15 músicas, o disco anda na mesma linha de Flying Lotus e Slugabed – conseguindo alinhar algumas estranhezas, como vocais (à la Alvin e os Esquilos) e frases de sintetizador cartunescas até as novas tendências da EDM. Ao que parece, Harley Streten não se preocupar em soar original, já que vemos também elementos do Totally Enormous Extinct Dinosaur e SBTRKT em muitas de suas faixas, mas sim em criar uma mistura interessante com estes elementos pré-existentes.

Para amparar suas composições, Harley ainda traz um pouco do Funk, R&B, Hip Hop e Soul reprocessados para se adaptar as suas músicas downtempo e algumas vezes melancólicas. Em algumas delas, o produtor ganha ajuda nos vocais trazendo convidados como Chet Faker (em Left Alone), Moon Holiday (em Insane), Jezzabell Doran (no single previamente lançado Sleepless).

Sintra abre o disco ao som de sintetizadores vintage sincopados e uma batida contagiante. Os elementos vão aparecendo aos poucos até que os vocais recortados e reprocessados surgem; eles aparecem constantemente durante toda faixa que evoluiu pouco a partir daí, mas ainda assim ela é uma interessante introdução ao que virá a seguir. Em seguida, Holdin On e Left Alone apresentam o lado mais dançante de Flume, enquanto a primeira cria um ótimo fundo musical, próximo ao R&B, para um vocal de Soul mais uma vez recortados, a segunda se mostra mais calma ao acompanhar os vocais sinestésicos do também australiano Chet Faker.

O disco segue apresentando ótimas variações, como a amena e onírica Sleepless; a “hip hopsistica” e agressiva On Top, que ganha os vocais do rapper T. Shirt; a etérea e relaxante Stay Close e seus contornos cartunescos; Insane (um dos pontos altos do disco) constroí um clima hipnótico ao misturar a doce voz de Moon Holiday aos sintetizadores e texturas que vão crescendo aos poucos até chegar a seu ápice dançante à la TEED.

A segunda metade do disco continua apresentando a mesma dinâmica volátil da música de Flume, que segue brincando vários ritmos, influências e tendências. Change, por exemplo, une os recortes vocais típicos do francês Madeon a uma bela construção dos sintetizadores ao fim faixa. Ezra tem um quê do Post-Dubstep, porém com recortes mais angulares e mais abruptos dos que os são comunmente utilizados no estilo. Por sua vez, More Than You Thought parece beber diretamente da fonte do gênero e de seu antecessor, o Dubstep. A lúdica Space Cadet, que brinca com o 8-bit, cria um contraponto com a extremamente Pop Bring You Down e suas tendências do Synthpop – talvez a música mais “normal” de todo o disco.

Ainda que não mantenha um padrão ou continuidade em suas faixas, Flume consegue apresentar muito bem suas influências, bem como dar sua identidade ao reprocessa-las. Com certeza uma ótima estreia para o ilustre iniciante de apenas 21 anos.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts