Resenhas

Foxygen – We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magic

Um convite a uma viagem musical pelos anos 60 e 70 feita através de ótimas composições do duo de Los Angeles que experimenta com a nostalgia para fazer algo atual

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Ano: 2013
Selo: Jagjaguwar
# Faixas: 9
Estilos: Rock Psicodélico, Pop Experimental
Duração: 36:39
Nota: 4.5

We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magic, do duo de Los Angeles Foxygen, é um ótimo exemplo de como um grupo pode evoluir seu som sem perder suas raízes. E, de certa forma, a evolução vista nesta obra consegue deixar ainda mais claras quais são as principais inspirações e influências de Jonathan Rado e Sam France. Em seu primeiro disco, Take the Kids Off Broadway (lançado oficialmente em 2011 e relançado no ano seguinte pela Jagjaguwar), já se enxergava a grande presença dos anos 60 nas composições da dupla, principalmente a de artistas como Bowie, Kinks, Velvet Underground e muito de Rolling Stones. Agora, com uma melhor produção e mais coesão entre as faixas, o disco traz as mesmas inspirações, porém trabalhadas de maneira ainda mais eficaz.

Além da perda do aspecto Lo-Fi de outrora, o grupo expande sua sonoridade para outros campos, como o Folk e um pouco do Rock e Pop da década de 70. Pode parecer estranho ver tudo isso interagindo em apenas nove faixas, mas, ao longo do tempo, o duo aprendeu a fazer essas mudanças de forma sutil, às vezes trocando de referência mais de uma vez dentro da mesma canção. Embora menos espontâneas, essas mudanças não ocorrem mais de forma tão abruptas quanta as que aconteciam em seu debut – e isso é um ponto muito importante para o resultado final deste disco.

In The Darkness abre o álbum à la The Beatles em sua fase Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e mostra também as características camaleônicas dos vocais de Sam. Em seus dois minutos, a canção apresenta a vibe psicodélica sessentista que estará presente em grande parte das composições. Em seguida, No Destruction cria mais um retrato revivalista ao fundir Dylan e Stones em uma só faixa. O clima Folk (com direito a um final apoteótico ao som das gaitas) se une à sonoridade característica da banda de Mick Jagger (além da voz de France remeter diversas vezes ao seu vocal), em uma faixa que fala sobre um amor destrutivo e o fim deste relacionamento, citando algumas cenas absurdas no meio do caminho.

On Blue Mountain é a canção que melhor mostra as diversas mudanças que o grupo consegue criar dentro da mesma composição. Sua introdução de quase um minuto tem um tom sexy, acompanhado de um órgão e uma percussão bem leve. Quando o baixo pulsante entra, a faixa começa a tomar um rumo roqueiro, mais uma vez próxima de Jagger e companhia. A canção ainda irá mostrar seu lado sensual novamente antes de terminar em clima de Rock & Roll ao som de um pequeno solo de guitarra. A inserção de backing vocals femininos contribui ainda mais para aura nostálgica da canção, que se desenrola como uma espécie de lembrança e vontade de ir à tal Blue Mountain.

A dupla é bem consistente em criar refrãos que se destaquem do restante da faixa e os de San Fracisco, que são acompanhados mais uma vez pelos backing vocals e que remetem aos que The Mammas & The Pappas criavam, são uns dos mais memoráveis de toda a obra. A canção segue um clima ameno do Pop sessentista, soando apaixonada e boba ao mesmo tempo. Bowling Trophies marca o meio do disco com um experimentalismo instrumental que se aproxima do Blues marcado pelo piano e guitarras, além de trazer metais e alguns ruídos à faixa.

O primeiro single, Shuggie, apresenta também as sutis mudanças e um refrão ótimo que se aproxima do Soul. A faixa conta uma melodia interessante e uma abertura não muito usual feita à base de sintetizadores com um timbre bem estranho.Oh Yeah apresenta um quê de Bowie (além da clara semelhança vocal) em uma música cheia de suingue e groove do Funk. Ela se mantém relativamente estática (para os padrões erráticos da banda), só ganhando um novo memento ao fim da canção, quando em um raro momento a guitarra faz um solo de quase 30 segundos e comanda faixa como um todo.

A música-título recupera a aura Lo-Fi do primeiro trabalho do duo e cria o memento mais roqueiro dentro disco. Regada a intensas guitarras e uma vibe “Iggy & The Stooges”, a faixa também é criada a partir de diversos momentos sobrepostos, variando entre os mais ou menos intensos. Fechando o álbum de forma lisérgica está Oh No 2 que remete ao Pink Floyd, ao incrementar a faixa com alguns recortes de áudio que parecem uma narração, a reverberação acima da média e uma harmonia realmente incrível.

Paradoxalmente, We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magicé um disco vintage o suficiente para ser considerado atual, exatamente por experimentar com tantas referências do passado. Mais que isso, um passo certeiro de Jonathan Rado e Sam France que repensam seu próprio som e o deixam mais coeso e de certa forma mais acessível.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts