Resenhas

Frankie Rose – Interstellar

Passeando entre o Lo-Fi e o Dream Pop, Rose deixa pra traz tudo o que já tinha feito em suas bandas anteriores e cria um novo álbum com uma bela apresentação das guitarras, uso pesado de sintetizadores e sua doce voz

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Ano: 2012
Selo: Slumberland
# Faixas: 10
Estilos: Lo-Fi, Dream Pop
Duração: 32:30
Nota: 4.0
Produção: Le Chev

Quem conhece a trajetória de Frankie Rose vai se espantar com esse disco. Em seu primeiro trabalho solo, ela muda completamente seu estilo e parte pra horizontes totalmente novos. Rose, que já esteve em bandas como Vivian Girls, Crystal Stilts, e Dum Dum Girls, com um som que passeava pelo Shoegaze e Noise Pop, passa agora para um Dream Pop com uma carga de Lo-Fi muito grande em Interstellar.

Além de participar dessas bandas como coadjuvante, a moça já havia se metido em um primeiro trabalho com seu nome, Frankie Rose and the Outs, de 2009, um projeto em que ainda havia resquícios das guitarras barulhentas, tudo orquestrado pela açucarada voz de Rose. Já em 2012, ela resolve partir pra um projeto solo de verdade, dessa vez com guitarras ainda presentes, mas em menor escala e menos distorcidas.

Um elemento que se faz muito presente aqui também são os sintetizadores, que mesmo sem querer dão aquela vibe anos 80 à música. Mas a nostalgia daquela época para por ai e sem nenhum exagero e sem nenhuma pretensão de fazer um resgate do que rolava há 30 anos atrás, ela consegue trazer um certo tom de novidade em suas faixas.

Um dos pontos positivos do disco é ser curto, empolgando no ponto certo, sem se estender em nada com suas 10 faixas em pouco mais de 30 minutos. Sua doce voz dá ao disco um clima de Dream Pop, e Rose, com seus arranjos, demonstra sua faceta Lo-Fi (que não por acaso voltou à moda). Seus vocais hipnóticos estão presentes em quase todas as faixas, assim como as melodias pop que caracterizam sua nova fase.

Interstellar é a faixa que abre o disco, com suas batidas marcantes e um clima dançante que nos apresenta um pouco da grande variedade que do álbum. Essa vibe dançante continua também em Know Me, com suas guitarras nostálgicas e apelo pop muito forte. Existe aqui uma influência muito grande de Ariel Pink e Twin Shadow, assim como de outros artistas que bebem dessa mesma fonte retrô.

Em Pair Of Wings, o ritmo começa a diminuir e, a partir daí, as músicas começam a ficar mais calmas, mas sem perder seu apelo pop. Nessa canção, Rose consegue criar uma aura fantasmagórica com sua voz processada e uso pesado e sinistro dos sintetizadores. Apples For The Sun continua nessa mesma pegada, e mostra um pouco da dualidade no álbum. Mais que isso, mostra que ela consegue variar e manter o disco coeso. The Fall termina o disco de modo oposto ao qual começou e apresenta umas pitadas interessantes de guitarras.

Um disco coeso e curto, em que Frankie consegue criar uma identidade própria, fugindo bastante do que ela já havia feito anteriormente. Flertando com o Dream Pop e o Lo-Fi, o disco sofre muitas variações em suas dez faixas.

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BOM PARA QUEM OUVE: Memoryhouse, Grimes, Blouse
ARTISTA: Frankie Rose
MARCADORES: Dream Pop, Lo-Fi

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts