Resenhas

Franz Ferdinand – Right Thoughts, Right Words, Right Action

Novo disco resgata o quarteto de limbo injusto e anima fãs da banda com faixas divertidas, que trazem o melhor do gênero proposto por eles

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Ano: 2013
Selo: Domino Records
# Faixas: 10
Estilos: Indie Rock
Duração: 35:05
Nota: 4.0
Produção: Joe Goddard e Alexis Taylor

O quarto disco dos escoceses do Franz Ferdinand confirma várias pequenas opiniões a respeito da banda. Antes de mais nada, é preciso dizer que o Franz sempre foi diferente da maioria de seus contemporâneos e primou por uma discreta e simpática comunhão com sonoridades funk negróides, no sentido Talking Heads do termo. Também foi uma das poucas formações a ter preocupações estéticas semelhantes ao que se entendia por Art-Rocknos anos 70/80, acrescentando certo refinamento e pitadas exóticas em sua sonoridade falsamente despojada. Sim, o Franz também saiu pela tangente da largação sonora preconizada a partir do advento Strokes. Isso não é com eles.

Quando surgiram em 2003 a partir do EP que trazia Darts Of Pleasure, já dava pra notar algo diferente na aproximação que propunham Alex Kapranos, Nick McCarthy, Bob Hardy e Paul Thomson. A conexão era com os anos 80, algo marcante para as bandas da década 00 como um todo, mas o Franz sempre teve algo de ovelha negra, de uma banda que primava pela dança e por seguir numa tradição de artesãos de canções feitas para as pistas, com grooves, baixos e formato apropriados. O segundo single, Take Me Out, é um bom exemplo disso.

Essa distinção, no entanto, foi tornando-se menos evidente à medida que a década avançou. O terceiro disco, Tonight, por exemplo, já mostrava algum esgotamento e a banda sumiu do mapa até agora. Pelo visto (e ouvido) o tempo pródigo com os rapazes e este novo trabalho apresenta o mesmo vigor da estreia. Os primeiros singles ventilados, Love Illumination e Right Action já traziam elementos dançantes logo de cara. O mapa estava apontando para uma interseção entre Some Girls, dos Stones; Let’s Dance, de Bowie e More Songs About Buildings And Food, do Talking Heads, com um invólucro independente anos 80. A melhor canção do novo disco é Stand On The Horizon, escandalosamente inspirada em Talking Heads, exibindo o mesmo fascínio vacilante de branquelos por ritmos negros que sempre norteou o rock desde o início.

Right Thoughts, Right Words, Right Action resgata o Franz de um limbo injusto e o recoloca na ordem do dia, ao lado de bandas cada vez menos capazes de imprimir qualquer marca pessoal em seus trabalhos. Perto delas, Kapranos e seus amigos de Glasgow são bálsamo auricular.

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MARCADORES: Indie Rock, Ouça

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.