Resenhas

Freelance Whales – Diluvia

Banda experimenta dentro da música Pop e nos entrega um som muito agradável que consegue ser descompromissado e marcante ao mesmo tempo

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Ano: 2012
Selo: Mom + Pop, Frenchkiss
# Faixas: 11
Estilos: Pop Experimental, Pop Folk, Synthpop
Duração: 52:50
Nota: 3.5

A banda norte-americana Freelance Whales define seu próprio som como Pop Experimental, apesar de público e crítica preferirem chamá-la por termos mais carimbados, como Indie Pop ou Synthpop , principalmente neste seu segundo lançamento, Diluvia. Arrisco dizer, entretanto, que é justamente esse álbum que me fez entender o que o quinteto quer dizer com o rótulo que escolheu para si mesmo. Não que eu considere esses títulos assim tão importantes – prefiro utilizá-los apenas em caráter explicativo, não definitivo -, mas foi a partir do nome “Pop Experimental” que entendi por que tantas críticas negativas ao trabalho da banda e a razão de uma certa aparência de “banda Folk que acabou de descobrir os sintetizadores” que impera por todo o disco.

Para qualquer defensor radical de estilos Indie que tenta enxergar o mundo através dessas lentes, o som da Freelance Whales será sempre ouvido como “bobinho”, com suas melodias fáceis e harmonias tão comuns – ainda que exista muita beleza nesses dois aspectos, o que fica mais evidente quando você entende a despretensão no trabalho do grupo. E vem disso a tal pegada de banda formada por um pessoal que queria só sentar e fazer um som junto, aquela coisa de violões embaixo de uma árvore ou em uma festa na casa de alguém. Não é “arte pela arte”, mas música pelo prazer de fazer e ouvir algo belo.

Depois do sucesso que foi seu primeiro álbum, Freelance Whales incorporou os sintetizadores ao seu som doce e envolvente que consegue lembrar Death Cab for Cutie e Arcade Fire ao mesmo tempo, ainda que contenha uma identidade muito própria. Como toda obra Pop, o disco tem a ordem das faixas planejada para conquistar o ouvinte e embalá-lo até o fim – que, neste caso, contém suas maiores preciosidades.

A primeira metade fica marcada com músicas que devem repetir o mesmo sucesso das canções de seu Weathervanes (2009), que tiveram presença garantida em trilhas de filmes, séries de TV e vídeos comerciais. Não é nada difícil se imaginar mudar de canal e encontrar Spitting Image, Land Features ou Locked Out, por exemplo. Mas é em sua segunda parte, após a saudosista Dig into Waves, que traz o som da última década de 80 para fazer a transição entre as duas metades da obra.

Com uma vibe quase Post-Rock, Red Star começa quase no silêncio e cresce em timbres doces até ser minimamente dançante. Ela dá lugar à beleza de Winter Seeds, que também chega baixinha, meio sussurrada, e se transforma em uma deliciosa baladona Pop em seu decorrer. É aí que The Nothing entra em cena, certamente a faixa mais bonita de Diluvia, sabendo utilizar o melhor de cada elemento que compõe o álbum e no tom certo para o vocal de Judah Dadone brilhar.

Após a longa e onírica DNA Bank, que culmina no encerramento do disco com Emergence Exit, fica a sensação de que o experimento da Freelance Whales deu certo, já que Diluvia consegue ser acessível sem ser banal, bonito mesmo sendo leve e marcante sem precisar de compromisso. É música para se ouvir de fundo enquanto se vive, sem medo de desperdiçá-la pela falta de atenção, ou dar o play em um momento quando a beleza leve e sincera esteja em falta.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.