Resenhas

Frightened Rabbit – Pedestrian Verse

Com canções sensíveis, divertidas e sem grandes pretensões de inovar musicalmente, banda mostra que sabe agradar

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Ano: 2013
Selo: Canvasback/Atlantic
# Faixas: 15
Estilos: Pop Rock, Indie Rock
Duração: 52:10
Nota: 3.5
Produção: Leo Abrahams

Houve uma época ali no finzinho do último século em que surgiram muitas e muitas bandas que ficavam em um meio termo entre aquele formato quadradinho descarado das grandes gravadoras e o lado B da indústria. Foi quase como se as bandas de garagem migrassem pro estúdio, sem perder sua veia roqueira, mas depois de banho e tosa completos. Eram grupos que alimentavam as trilhas sonoras com músicas divertidas, outras até mais sérias, com um certo conteúdo e um degrau acima das outras no quesito inventividade em um aspecto ou outro.

Sinto certas saudades disso, principalmente por uma tal despretensão que as músicas tinham. Aquele quê de draminha exagerado, do cara de quem o mundo caiu porque perdeu um dos amores da vida dele, aí foi e fez letra, composição e gravou com a banda, sem muita “obrigação” de inovar sonoramente, de trabalhar mil referências ou qualquer outra coisa assim. Música boa a favor do que as letras se propõem a ser.

Pensei bastante nisso ao longo dos últimos dias, enquanto ouvia Pedestrian Verse em um repeat infinito. Parece que o quarto álbum da escocesa Frightened Rabbit vinha carregado dessa minha nostalgia e eu só fui me dar conta disso vezes depois da primeira.

São quinze canções – um número acima da média de hoje em dia – que pegam tudo isso o que eu disse e conseguem colocar um frescor criativo que também soa descompromissado, ainda que inventivo (o que, pra mim, é uma boa explicação para o que é considerado “Indie” hoje em dia), além de não negarem sua alma sensível na hora de narrar emoções nada prazerosas.

Aproveitando a tradição vocal daquela região da Europa (muito notada na vizinha Irlanda), o disco parece colocar o coração na mão na hora de cantar, expondo o eu-lírico, em letras feitas por diversos membros da banda, com sinceridade, lamentando sua condição como um homem falho e tão cheio de defeitos sem medo também de fazer drama ao falar que está morrendo de tristeza.

Acts of Man abre o álbum com todas essas características, em um tom levemente sombrio, e logo dá lugar a Backyard Skulls, bem mais rapidinha e convidativa, sem deixar de ser dark. Holy parece uma versão mais Pop de Arcade Fire, enquanto The Woodpile tem tudo aquilo dos anos 90 que eu disse no início, uma balada com muita alma e gostosa de ouvir.

Daí pra frente, o disco segue essa oscilação entre músicas com mais energia (como December’s Traditions ou Escape Route, que encerra muito bem a obra) e baladinhas dramáticas para cantarmos juntos, como If You Were Me e Nitrous Gas.

É música que fica muito bem em trilhas sonoras, no meio de alguma playlist ou para quando você quiser ouvir algo que soe grande sem ser pretencioso. O sotaque escocês dá ainda mais charme e identidade às canções e as guitarras estão todas no lugar certo. Não vai mudar a sua vida em nada, e nem teria por que, mas vai te garantir mais de 50 minutos de música boa.

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BOM PARA QUEM OUVE: Snow Patrol, Coldplay, Arcade Fire
MARCADORES: Indie Rock, Pop Rock

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.