Resenhas

Fyfe – The Space Between

Terceiro disco solo de produtor traz maturidade a favor da estética minimalista

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Ano: 2017
Selo: Benvolio Music
# Faixas: 11
Estilos: Indie Pop, Chillwave, Synthpop
Duração: 41:00
Nota: 3.5
Produção: Fyfe

Mais interessante do que analisar projetos solos de integrantes de bandas conhecidas é investigar o trabalho autoral dos produtores por trás de grandes estrelas do Pop. Nomes como Diplo, Skrillex e Sia são exemplos que não se contentaram com o anonimato e ganharam fama por meio de um trabalho bem feito e de apelo Pop intenso. Ao analisarmos suas obras, entramos em contato com experiências diretas do produtor, como se agora ele fosse um orador ao invés de um intérprete que depende das referências e do direcionamento do artista principal.

Dentro desse escopo, quem parece dar cada vez mais seus próprios passos é o londrino Fyfe, responsável por hits de Marina And The Diamonds, Ellie Goulding e Everything Everything. Sua trajetória começou com tímidos registros sob o nome de David’s Lyre e, aos poucos, começou a ganhar uma forma mais definida a partir do momento que escolheu aquele nome para ir a frente de uma sonoridade bastante diversa.

The Space Between marca um momento saudável na descoberta de sua sonoridade e identidade. Com 11 faixas, o álbum faz jus ao seu nome na medida em que um de seus lugares favoritos são os espaços silenciosos entre os acordes. A mistura de Synthpop com Chillwave é apenas uma base para que, a partir da investigação destes espaços, Fyte possa descobrir a grandiosidade que o silêncio pode proporcionar. Há diferentes referências na sonoridade do produtor londrino, mas elas certamente se encontram em um ponto comum: o minimalismo em prol da qualidade. Batidas de Hip Hop se juntam com sintetizadores reverberados em uma proposta bastante dançante, mas ao mesmo tempo introspectiva. Dessa forma, ao mesmo tempo que Fyte começa a definir com mais certeza sua identidade, ele também se permite criar e experimentar em seu laboratório, sem medo de errar e com foco em seu objetivo.

Cold Air mostra bem o que esperar das próximas onze faixas, com versos de poucos e precisos elementos que culminam em um refrão explosivo e expansivo, como se a descoberta do silêncio provocasse epifanias grandiosas. O single Belong, parceria com a cantora Kimbra, aprofunda o conhecimento da música Pop e aproxima os timbres escolhidos de uma estética mais oitentista. Stronger, por sua vez, esquenta o clima do disco, enfatizando o poder do minimalismo nas sensações eróticas e sedutoras. Relax faz jus a seu nome, com timbre etéreos e reverberados que deixa a audição do álbum bastante leve. Rosa é mais introspectiva, abusando da sensibilidade do piano para criar um registro quase que hipnótico levando em conta as preferências do produtor. Por fim, Closing Time, uma balada do piano, encerra estas experiências com provas de que Fyfe também domina as canções românticas, com uma intenção no toque do piano.

Temos um registro promissor que reafirma o talento do produtor, mas também mostra novos domínios que ele claramente pode explorar sem medo de errar. The Space Between é um disco sobre descobrir quem você é, e para isso, não é preciso mais do que a coragem. Característica que Fyfe tem e pode, com propriedade, escrever um álbum sobre.

(The Space Between em uma faixa: Relax)

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BOM PARA QUEM OUVE: Garbo, Alt-J, James Blake
ARTISTA: Fyfe

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.