Resenhas

Garbage – Not Your Kind of People

As referências ao som que a banda fez no passado retornam – após sete anos sem lançamentos – em uma tentativa de soarem contemporâneos

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Ano: 2012
Selo: Stunvolume
# Faixas: 11
Estilos: Rock Alternativo, Rock Eletrônico
Duração: 42:40
Nota: 3.0
Produção: Butch Vig
Livraria Cultura: 29784761

Donos de um estilo que misturava tudo o que tocava nas rádios de Rock Alternativo na década de 90, o Garbage era Eletrônico, Punk, Industrial, Grunge e Trip-Hop. Após um hiato de sete anos, a banda volta à ativa com um disco recheado de referências aos trabalhos anteriores, mas que tenta ser também contempôraneo.

Produzido pelo membro da banda e produtor do Nevermind do Nirvana, Butch Vig, o álbum procura se amparar na vertente eletrônica/industrial do grupo. Ao começar por Automatic Systematic Habit, na qual vemos Shirley Manson transitar pela sua tradicional sombriedade, mas com toques muito mais Pop, talvez pela consciência que hoje a música Eletrônica é muito mais presente na música popular do que há 15 anos. Big Bright World vem logo em seguida com uma balada crescente e um refrão pegajoso e pouco inspirado (“Shivers up and down my spine/Feet to the teeth/Inside this big, bright world”). Blood for Poppies é divertida e poderia ter sido colocada como abertura do CD. Com um riff pesado e preciso, e Shirley inspirada, a música tem um refrão pop não-enjoativo, mostrando a primeira canção relevante no álbum.

Control te leva a crer que a banda está te levando a uma balada conduzida no piano, bem calma. Doce engano: aos 38 segundos uma guitarra pesada, seguida por uma gaita industrial, que poderia muito bem chamar os trabalhadores de volta à fábrica, conduzem a base da melhor música do álbum. Entretanto, é triste pensar que a música seguinte consegue baixar todo o clima trazido pelas duas canções anteriores, quebrando o ritmo e a unidade do álbum. Not Your Kind Of People é preguiçosa, etérea no sentido errado e leva o ouvinte a pular a faixa. Ainda bem que Felt inicia com um riff de guitarra que lembra os contempôraneos da década de 90, Smashing Pumpkins, com Shirley quase que sussurando os versos e deixando o refrão pra guitarra se expressar. I Hate Love tenta ser atual com uma base no começo que lembra os bons momentos do Parov Stelar. Entretanto, o que se vê depois é uma música bem feita, mas irrelevante para a carreira e para o fã da banda. Sugar é a balada calma que o Garbage foi namorando ao longo do álbum, na qual Shirley pede açúcar, mas o que realmente falta é sal em uma música que é quase um lugar comum, e realmente fraca.

Battle in Me eleva novamente o clima do álbum, com um Rock Industrial que nos faz lembrar um pouco Nine Inch Nails e os bons momentos do passado do Garbage. Verso e refrão combinam bem, com o primeiro criando um clima que se torna extremamente inesperado devido ao refrão seco “It is the battle in me, it is the battle in you”. Man on Wire mantém uma boa unidade, sendo marcada desssa vez no Rock puro e Shirley tendo o seu melhor momento no álbum, com um refrão que dificilmente sairá da sua cabeça tão cedo. De quebra, ainda temos Shirley divagando no terceiro quarto da música, em um momento à la Kim Gordon do Sonic Youth. Realmente, um ponto elevado no álbum e que poderia encerrar o mesmo. Entretanto, ainda vem Beloved Freak, que acaba consolidando não as boas músicas do CD, mas sim a oscilação presente no álbum.

Vemos um trabalho com algumas boas canções, mas pouca unidade para alguém que ainda deseja, como na década de 90, escutar um álbum do começo ao fim, sem escolher ou pular músicas como fazemos hoje em dia com o iPod. Se a inspiração nos dias atuais vem do shuffle, o Garbage estará indo para o caminho errado. Após sete anos, vemos um potencial para ou se tornarem relevantes novamente ou para se tornarem mais um símbolo da melancolia daquelas bandas que vivem só dos bons momentos do passado. Um pouco mais de unidade os fará ir pelo primeiro caminho, agora o que nos resta é esperar para saber a qual futuro o Garbage pertence.

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.